O que fazer se começar uma tempestade durante o pedal

Nem sempre a previsão do tempo acerta: como lidar com chuvas imprevistas

TAJ MIHELICH

Por Joe Lindsey

O cabelo na nuca chegou a arrepiar. Colocamos as bikes de lado e corremos até o primeiro abrigo que encontramos. Era o dia 5 de uma viagem de uma semana pela Colorado Trail, e no meio de uma longa descida, o tempo virou. Frio e chuva de vento derrubaram a temperatura do ar de agradáveis 20ºC para hipotérmicos -5ºC em minutos. Relâmpagos arrebentavam ao redor de nós.

Estávamos num grupo de seis, agachados longe um do outro, e enrolados em roupas quentes e impermeáveis, esperando pelo pior durante a tempestade elétrica. Quando a chuva começou a amainar, nós voltamos para as bikes e continuamos a descida. Fizemos tudo certo: achamos abrigo, evitamos nos agrupar no caso de um relâmpago cair perto, nos protegemos para ficar o mais secos possível e voltamos a nos mexer o quanto antes, para ir para um lugar mais seguro e nos aquecermos com o movimento. Só não deixamos as bikes. Mas metal, no fim das contas, não atrai relâmpagos mais do que qualquer outro objeto com carga elétrica positiva.

Em 25 anos pedalando, foi uma das incontáveis tempestades que me pegaram pelo caminho. É praticamente certo que você vai acabar pegando uma também. Veja como lidar com elas:

ABC: sempre tenha uma jaqueta

TAJ MIHELICH

Mesmo que você esteja saindo em um lindo dia de verão, leve uma jaqueta impermeável com você, se você vai um pouco mais longe. “Nunca saia de casa sem uma proteção para chuva”, diz Mike Curiak, ex-ciclista de ultradistâncias. “Sem ela, é garantia que você vai ficar totalmente encharcado se cair um pé d’água.”

Continue em movimento*

*exceto se for uma tempestade de raios

TAJ MIHELICH

Se a pior ameaça for se molhar, continue pedalando, diz Yuri Hauswald, mountain biker de ultra-distância, campeão da Dirty Kanza. “Provavelmente você não tem várias camadas de roupas com você e precisa manter o sangue circulando”, diz. A exceção: se existe uma ameaça de raios, é melhor procurar abrigo o quanto antes, e esse abrigo deve ser o mais baixo possível. Se estiver com mais pessoas, cada um deve se abrigar num lugar; se alguém for pego por um raio, os outros estarão bem e poderão ir atrás de ajuda. Se a tempestade for forte e o caminho planejado seguir para cima, considere voltar. Não divida o grupo durante o pedal na chuva. O ritmo ideal é o mais rápido possível do membro mais lento. Observe sinais de hipotermia: confusão, sonolência e perda do controle motor. Tremer não é muito bom, mas o problema fica realmente sério quando a pessoa para de tremer. Use marchas mais leves para girar mais e manter o corpo aquecido, e lembre-se de continuar se hidratando e se alimentando.

Se mantenha quentinho

TAJ MIHELICH

O mais indispensável é uma jaqueta impermeável. Se tiver capuz, melhor ainda. Vai manter sua cabeça seca, o que é essencial. Mas a ciclista Rebecca Rusch sempre leva alguns itens extra que já salvaram o pedal nos 20 anos de competições de aventura que ela tem nas pernas. O primeiro é uma manta aluminizada de emergência: leve e compacta. O melhor é a em formato de saco de dormir. “Aquela em formato de cobertor fica batendo no vento”, conta Rebecca. A em formato de tubo pode ser vestida por baixo da jaqueta e ajudar a segurar o calor. Ela também leva uma touca de banho de plástico, dessas descartáveis, e um par de luvas de borracha (as mesmas que a gente usa para fazer manutenção na bike sem sujar as mãos). “Elas funcionam como uma barreira de vapor”, diz a ciclista. “Você vai ficar suado, mas enquanto estiver pedalando, vai ficar quentinho.” Se precisar, improvise: em uma tempestade no meio da corrida Ruta de los Conquistadores, na Costa Rica, ela usou um saquinho plástico de lixo no lugar da touca e deu certo.

Pense como um aventureiro

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Com uma longa carreira outdoor, da escalada a provas no cascalho, Rebecca tem uma perspectiva um pouco diferente de muitos ciclistas. “Quem compete tem uma mentalidade que leva a esperar ajuda a organização da prova”, ’conta. “Eu faço o oposto. Eu tenho cabeça de aventureira, o que quer dizer que sempre considero que é minha obrigação me virar. Eu presumo que o pior pode acontecer, então tenho que estar prevenida.” Não quer dizer muito espaço ou volume, como mostram as luvas e a touca de plástico. Mas com certeza você vai ficar feliz de ter levado eles se precisar.

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