5 dicas para você se recuperar de lesões e voltar mais forte

Aprenda a dar a volta por cima com essas dicas da bicampeã brasileira, Ana Polegatch

Ana com o uniforme da seleção, em julho deste ano (Foto via Facebook)
Por Verônica Mambrini*

Há três meses, a bicampeã brasileira de ciclismo de pista, Ana Polegatch, 30 anos, sofreu dois acidentes em sequência em pouco mais de um mês que a tornaram uma verdadeira mestra no quesito “se recuperar de lesões”. No mais sério deles, Ana estava treinando para o Mundial de Ciclismo de Estrada, que aconteceu em setembro, na Áustria. Ela quebrou clavícula, o que a tirou do tão sonhado Mundial.

“Estava pedalando, senti um choque e caí. Quando me levantei, vi minha bike embolada com a moto de um cara. Levantei para brigar com ele e já senti meu osso da clavícula totalmente solto”, lembra. Por já ter sofrido a mesma fratura no passado, entendeu na hora que, desta vez, o caso era mais sério. “Comecei a chorar. Não por causa da dor, mas por saber imediatamente que não iria mais para o Mundial. Me bateu uma tristeza tão grande que eu não conseguia parar.”

Ana correu para o pronto-socorro, confirmou a fratura da clavícula, e a razão foi aos poucos tomando de novo o lugar da emoção. “Eu já tinha um centímetro a menos no osso, por causa de uma fratura anterior, e os médicos esportivos foram unânimes: eu precisava operar.

A ciclista então lembrou que seu foco são as Olimpíadas. “Perdi a passagem, perdi tudo, mas se aconteceu isso é porque era para ser assim”, diz, sem remorso ou tristeza. Dez dias depois do segundo acidente, ela foi operada, colocou uma placa de titânio e voltou  para o pedal de novo no meio de novembro. Abaixo, ninguém melhor do que ela para dar dicas de como sacudir a poeira, se recuperar de lesões e voltar para bike – melhor do que nunca. 

PARA SE RECUPERAR DE LESÕES, PRIMEIRO ACEITE

Aceitar um revés desses sem entrar no papel de vítima é difícil, mas necessário. Para Ana, não existe a ideia de que algumas pessoas “atraem” fases de azar. Por isso, entenda seu momento e siga em frente.

Ana (à dir.) e as amigas no hospital, depois de caírem no GFNY do Rio, neste ano, em foto que virou meme no mundo do ciclismo (Foto via Facebook)

NÃO PROCURE UM CULPADO…

Alguém vacilou no pelotão? A fechada te derrubou no trânsito, te machucou e destruiu sua bike? Avalie se vale mesmo a pena arrumar “sarna para se coçar”. “Evito ficar achando culpados. Mesmo quando a responsabilidade é de um terceiro, nem sempre vale a pena gastar energia nisso. É melhor usar essa energia para se recuperar de lesões e melhorar”, aconselha a ciclista.

… NEM SINTA CULPA

O sentimento de culpa não ajuda em nada. “Nunca cogitei parar de pedalar, nem passa pela minha cabeça. Isso só é possível se você se livrar da culpa. Entender que estava no lugar errado, na hora errada.”

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DÊ UM PASSO DE CADA VEZ

Comece do zero e trabalhe com o que tem: seu calendário de prova e de treino começa do zero, a partir de como você está no seu retorno. Esqueça o “se”, tipo “se não tivesse caído, se não tivesse acontecido…” Não é fácil, mas só existe o agora. “Quando eu voltar a pedalar, haverá os Jogos Abertos, na qual eu planejava estar muito bem. Mas meu objetivo mudou: agora é ajudar minha equipe. Tenho certeza que posso pelo menos dar trabalho para as outras competidoras da prova.”

PARA SE RECUPERAR DE LESÕES, SEJA OTIMISTA

Ana é daquelas que vêem o copo sempre meio cheio – e não meio vazio. “Faço planos, tenho objetivos possíveis. Eu gosto de pedalar: independentemente de onde eu esteja. E sei que vou dar o meu melhor. Não quero sair de uma prova sem saber que dei tudo, mesmo se o resultado não for o esperado.”

[*Leia a matéria completa na edição novembro/dezembro da revista Bicycling, nº 19]