5 motivos para não perder o Tour de France 2018 por nada

Chris Froome é apenas um capítulo da 105ª edição da maior competição de bikes do mundo

Chris Froome, que busca o pentacampeonato no Tour mesmo sob polêmicas (Foto: ASO/Alex Broadway)
Por Erika Sallum

Quando 105ª edição do Tour de France começar, no próximo dia 7 de julho, não são apenas tensão, ansiedade e altas expectativas que vão permear a atmosfera entre os 176 melhores ciclistas do planeta, divididos em 22 equipes. Um dos maiores eventos esportivos do mundo nem chegou e já está marcado por polêmicas históricas — que o deixam ainda mais imperdível. A Copa do Mundo que me perdoe, mas poucos momentos do ano são tão eletrizantes quanto as 21 etapas deste Tour (que termina dia 29 deste mês).

O quase veto à participação do britânico Chris Froome, tetracampeão do Tour, deu um molho mais que especial à absurda novela mexicana de acusações de doping que cercam a competição há anos. E etapas duras, com momentos épicos em terreno com paralelepípedos, montanhas intermináveis, além das brigas dos sprinters em trechos planos, prometem fazer desta edição uma das mais competitivas.

A seguir cinco razões para você não perder o maior espetáculo do ciclismo estrada:

1. Chris Froome e a polêmica do doping

O britânico Chris Froome, tetracampeão do Tour, no pódio da etapa 16 da prova, em 2017 (Foto: ASO/Alex Broadway)

No domingo passado, o jornal francês Le Monde deu um furaço: a organização do Tour havia bloqueado a participação da maior estrela atual do Tour, o britânico Chris Froome, quatro vezes campeão do evento. Isso porque ainda estava em andamento o processo que investigava o uso ou não de doping pelo ciclista — concentrações anormais de salbutamol, substância utilizada no tratamento de asma, haviam sido encontradas no sangue do atleta em 2017.

A ASO, dona do Tour, afirmou que estaria tentando preservar sua imagem (diante de um possível veredito contrário a Froome? Por ter sabido do resultado com antecedência? Por suspeitar da investigação?). Um dia depois, a União Ciclística Internacioal (UCI) divulgou que Froome estava sendo absolvido das acusações, portanto liberado para correr o Tour.

A Sky, equipe do britânico, é a esquadra mais milionária da prova. E, se Froome ganhar pela quinta vez, entrará para uma seleta lista de mitos galácticos como Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. E ainda será um dos pouquíssimos a ter vencido consecutivamente quatro Grand Tours (como se chamam o Tour, a Vuelta a Espana e o Giro d’Italia).

Há alguns anos a Grã-Bretanha vem injetando muuuuuita grana para tornar o ciclismo de seu país uma história de sucesso absoluto. Para isso, contratou os melhores profissionais para ajudar os ciclistas, e não mede esforços para ganhar mesmo que ínfimas margens de vantagens sobre os rivais — por exemplo, Froome usa o mesmo colchão todas as noites, levado pela Sky a cada uma das paradas do Tour, assim evitando possíveis problemas musculares causados por colchões diferentes.

2. Paralelepípedos ainda mais difíceis 

Trechos de paralelepípedo tornarão a edição 2018 ainda mais emocionante (Foto: ASO/P. Ballet)

Cobbles, ou pavés, ou paralelepípedos tornam qualquer prova de ciclismo uma batalha brutal de força, habilidade, sorte e, muitas vezes, quedas cinematográficas, especialmente na chuva. A etapa 9 do Tour 2018, da cidade de Arras até a mítica Roubaix, terá 21.7 km com esse tipo de terreno. Serão, no total, 15 setores de paralelepípedo, com distâncias que vão variar de 500 metros a 2.7 km.

Em entrevistas, o italiano Vincenzo Nibali, campeão do Tour, revelou que os cobbles deste ano estão particularmente perigosos. Fazia tempos que a organização não “caprichava” tanto em torturar os ciclistas nessas estradas de pedra. Emoção garantida!

3. As montanhas não perdoam

O líder do Tour no meio do pelotão, na etapa 6 da edição do ano passado, com 216 km e média de velocidade de 40,2 km/h (Foto: ASO/Alex Broadway)

Como sempre, as etapas montanhosas serão a principal atração do Tour de France, onde ocorrem esforços sobre-humanos. Neste ano, serão seis etapas de montanha, com três chegadas em cume (incluindo a temida Alpe d’Huez). Dentre as montanhas, 12 se localizam nos Alpes, 4 no Maçiço Central francês e 10 nos Pirineus.

Aqui, o magrelo Froome geralmente mostra por que é um dos maiores ciclistas da atualidade — será que ele conseguirá manter a supremacia?

4. Show e exaustão máxima nos contrarrelógios

Contrarrelógio da etapa 1 do Tour 2017, em Düsseldorf (Foto: ASO/Alex Broadway)

Após um hiato de três anos, retorna ao Tour um contrarrelógio de 35 km, na etapa 3, em Cholet. Será um time-trial por equipe, em um percurso relativamente plano, e por isso mesmo bem competitivo.

No dia 28 de julho, na penúltima etapa do Tour, quando os ciclistas estão exaustos com as pernas moídas, acontece o tradicional contrarrelógio individual. Desta vez, serão 31 km de Saint-Pée-sur-Nivelle até Espelette.

5. Uma chance de conhecer a França, só a França

As belezas da França na etapa 17 do Tour 2017, que largou em La Mure e terminou em Serre Chevalier (Foto: ASO/Pauline Ballet)

Diferentemente de anos anteriores, o Tour de France 2018 pouco sairá da França, com alguns rápidos desvios para países vizinhos. A prova visitará pela primeira vez nove lugares no país, e passará por 36 departamentos. Até mesmo a etapa 1, que já aconteceu no exterior (no ano passado, por exemplo, deu-se na Alemanha), será todinha em solo francês.

Uma ótima oportunidade de ver o pelotão mais lindo do mundo pedalando por campos de girassol, montanhas nevadas e estradas esplendorosas. Oh-lá-lá!