8 problemas que só ciclistas baixinhos vão entender

Foto de Pat Heine

Por Miranda Smith

Se existem vantagens em ser um ciclista pequeno (não temos que nos espremer em espaços justos e conseguimos desviar mais fácil dos outros), não é segredo que os verticalmente prejudicados precisam vencer desafios únicos nos esportes – ciclismo não é uma exceção. De racks de teto ao perigoso overlap, muita coisa pode ser um problema. Nós conversamos com vários ciclistas baixinhos para trocar ideias sobre os nossos “menores” desafios.

É difícil achar bikes tão pequenas

Divulgação Specialized

O primeiro desafio de um ciclista baixinho é achar uma bicicleta do tamanho certo. Muitas marcas não oferecem bikes tamanho PP, ou PPP, ou só oferecem esses tamanhos online (o que torna difícil testar a bike). Comprar uma bike nova deveria ser extremamente divertido, mas se você tem 1,50, como a ciclista Hannah McClellan, que tem uma bike de 42cm, raramente consegue fazer um test-drive de uma potencial bike nova.

“Tudo que eu queria era poder dar uma voltinha na bike e vê-la pessoalmente antes de preencher o cheque”, diz McClellan. “Agora mesmo eu estava interessada em uma Diverge feminina. Eu pirei no fato da Specialized permitir testes das bikes para 2018 nas bicicletarias locais, até eu me dar conta de que nem a pau eles teriam meu tamanho. É como comprar um carro baseado em fotos e na ficha técnica, sem fazer um test drive e sentir como ele se comporta na sua mão.”

Overlap é um problema real

Foto de Pat Heine

Normalmente uma bike menor quer dizer um quadro menor, mas não rodas menores. Então, seus pedais estão mais perto das rodas, e a ponta do seu pé tende a bater nos pneus quando você faz uma curva mais agressiva. Ciclistas baixinhos como Molly Hurford, de 1,50 m, sempre estão procurando modelos que não causem overlap.

“As empresas têm evoluído muito nesse sentido, mas eu lembro que quando a Raleigh lançou sua cyclocross feminina, a versão de 48 cm era tão ruim que qualquer curva já era um desafio, lembra Molly. “O problema é que corrigir o overlap tende a deixar a bicicleta menos manobrável, então ou ela parece uma praieira ou faz curvas pior ainda quando o overlap é corrigido.” Qual o equilíbrio então? “Muitas empresas ainda estão tentando descobrir, mas vamos dizer que a Raleigh RXC feminina fez mudanças brutais na geometria, para reduzir o overlap sem perda de performance.”

Racks de teto estão fora do alcance

Foto de Pat Heine

Um rack de teto é uma das formas mais seguras de transportar sua bike de carro. Há ciclistas que levam banquinhos por conta disso. A ciclista de 1,50 m Tiffany Tarleton descobriu um jeitinho para fazer sozinha. “Eu aprendi a apoiar a bike na lateral do carro, subir, e depois puxar a bike para cima. Chega a ser engraçado, se eu não derrubar a bike, claro”, diz.

Montar na bike pode ser um desafio

Assim que mini-ciclistas acham uma bike do seu tamanho, o próximo desafio é subir na bike elegantemente. Teresa DeMeres precisa fazer acrobacias para subir na bike. “Uma das minhas frustrações em ser uma ciclista baixinha é que subir na bike, que tem 51 cm de top tube, sem me machucar e sem bater em nada é uma batalha”, diz DeMeres. “Ou eu estiro algum músculo tentando passar a perna por cima do top tube ou bato alguma área sensível no quadro da bike!”

Você não consegue pegar bikes emprestadas

Foto de Pat Heine

Uma das melhores partes do ciclismo é fazer amigos que compartilham o amor pelo esporte. Mas os mais baixinhos, como eu, que pedalam com um pelotão alto, não podem participar de uma coisa bem divertida: experimentar a bike dos amigos.

Trabalhei em uma bicicletaria na qual todo mundo tinha mais de 1,80. Se alguém estivesse em dúvida sobre comprar uma gravel, podia testar a do amigo no fim de semana. Ou trocar de bike só pela diversão. Era como uma irmandade de bicicletas da qual eu não podia fazer parte, a não ser que topasse me arriscar em uma bike de 58 cm. Eu nunca nem tentei mountain biking porque até nossas bikes para alugar eram enormes para mim.

Seus amigos dão risada da sua mini bike

Outra encheção constante de ser a mais baixinha do seu grupo de pedal é que o tempo todo você vai ser lembrado por seus amigos mais altos disso, diz a ciclista de 1,60 m Riley Missel. “Tem uma coisa que as pessoas amam na minha bicicleta. Elas conseguem brincar com ela e passar a bike por baixo das pernas como se fosse uma bicicleta de criança”, diz Missel. “Alguns amigos já me zoaram e disseram que era a bike do anão do circo, mas eu pedalo muito bem nas mesmas subidas que eles. Quem merece ser zoado?”

As barreiras do ciclocross são muralhas

MAKETRAX/GETTY IMAGES

Não é novidade que baixinhos sofrem mais com basquete e vôlei, e dá até para pensar que ciclismo é um lugar tranquilo e feliz para essas pessoas. Mas não. Não se o ciclista resolver experimentar cyclocross – o que a Pat Heine, com seus 1,50 m, quis fazer.

“Pra muita gente, as barreiras do cross são um pulinho ou um degrau mais alto”, diz Heine. “Pra mim é como se eu estivesse andando na Lua: um pequeno passo para a humanidade, mas um salto duplo twist carpado para mim!”

É mais difícil carregar acessórios

Foto de Pat Heine

Nada é mais lacrador que chegar no piquenique de bike com um suporte para garrafas de vinho no top tube. Mas se seu quadro é minúsculo, esqueça. Comprei um suporte desses para minha bike, achando que eu ia arrasar com uma garrafa de Pinot Grigio. Mas assim que coloquei na bike, a garrafa começou a bater no suporte para caramanhola. Tive que escolher entre ela ficar incrível e eu desidratada ou levar água. E o problema não é só o vinho: encaixar as bolsas de bikepacking fica bem mais difícil.

COMPARTILHAR