A arte do ciclista zen

"Você pode fazer com que sua pedalada seja também uma prática espiritual"

Por Molly Hurford

O doutor em medicina oriental e documentarista Pedram Shojai acredita no poder da meditação – mesmo quando ele próprio passa zunindo pelos singletracks perto de sua casa, em Irvine, na Califórnia (EUA). Em seu livro The Urban Monk (O Monge Urbano, publicado aqui pela editora Nascente), Pedram, de 40 anos, que também é pastor ordenado pelo monastério do Dragão Amarelo, na China, ajuda pessoas a abraçarem os benefícios antiestresse de práticas orientais (como a ioga).

Paralelamente, continua indo atrás de suas paixões (como o ciclismo). “Não posso pedir às pessoas que se tornem monges, elas têm outras coisas com que se preocupar”, diz Pedram. “Mas você pode fazer com que sua pedalada seja também uma prática espiritual”, defende. Ele sugere, por exemplo, meditar durante o pedal: “A grande questão é atingir o estado de fluxo [ou flow], em que você está 100% focado, mas extremamente calmo”.

Experimente isto: quando você sentir a mente começar a perder o foco, encoste a ponta da língua no céu da boca, respire fundo duas vezes e sinta sua conexão com a bike e com a estrada ou trilha à sua frente. “Em nossa cultura ocidental atual, não é permitido apenas se divertir”, afirma Pedram. “Temos de ser sempre produtivos. Logo transformar exercício físico e locomoção em diversão – e enquanto isso ainda ficar mais ‘zen’ – é perfeito.”

* Matéria publicada originalmente na Bicycling 7, de novembro/dezembro de 2016.