A bike transforma: três histórias de superação através dos pedais

Três histórias inspiradoras e que provam que a bike opera verdadeiros milagres

A bike opera verdadeiros milagres, alguém aí duvida? Quem é que pedala e não tem pelo menos uma história de amor, de libertação ou de superação com esse veículo e com esse esporte. A bike transforma as pessoas –e geralmente para melhor. Ainda precisa de uma prova? Então leia a seguir três histórias verdadeiramente inspiradoras.

JOHN DE ALMEIDA, 39, São Paulo (SP) // Gerente de caixa e ciclista urbano em processo transexualizador

Sou um homem trans vivendo um intenso momento de transição. Há sete meses tomo hormônios pelo SUS e faço exames regulares. Eu me sinto mais feliz a cada dia. E isso não aconteceria sem o esporte, sem a bicicleta. Na adolescência, a porta das drogas se abriu para mim: andava dopado e parecia um zumbi. Há dez anos decidi mudar tudo, e a bike me ajudou muito (logo depois, a musculação e o boxe também). Por mais que o medo ainda domine parte da minha mente – já fui roubado e atropelado pedalando na rua –, é o esporte que me faz sentir vivo, a me conhecer e a me aceitar melhor. Depois dos sustos, eu me neguei a desistir de pedalar, o que já é uma enorme vitória para mim. Em alguns lugares minha história segue como um tabu. Mas, quando confronto o John de antes com o de hoje, eu me percebo muito mais livre.

PATTY COLLINS, 49, Virginia (EUA) // Triatleta paraolímpica em 2016 e ex-coronel do Exército norte-americano

Voltei para casa após servir no Iraque em 2006 sem nenhum arranhão. Seis semanas depois, indo para o trabalho de bicicleta, fui atingida por um carro. Decidi pela amputação dez meses depois, em maio de 2007. A primeira vez que pedalei uma bike depois disso foi no dia 4 de julho de 2007. Foi a celebração do meu próprio Independence Day [o Dia da Independência nos EUA]. Percorri apenas por cerca de 1,5 km, mas valeu cada segundo. Deixar de pedalar e ter que reaprender faz você realmente agradecer a oportunidade. Quando me senti novamente confortável em cima da bike com minha prótese, passei a pilotar um modelo tandem (duplo) para atletas deficientes visuais. Essa continua sendo minha pedalada favorita da semana.

CAIT DOOLEY, 29, Califórnia (EUA) // Diretora de produto da GT e sobrevivente de câncer

 

Competir de bike salvou a minha vida. Se não estivesse prestando tanta atenção ao corpo, meu câncer de tiroide não teria sido identificado tão cedo – cheguei a pensar que estava com sintomas de overtraining. Fiz uma tatuagem na coxa um ano antes de me diagnosticarem com câncer, em 2011. Morava em Massachusetts naquela época, e as mulheres do ciclocross de New England costumavam dizer: “Você consegue!” umas às outras. Quando fiquei doente, meu amigo Chris fez adesivos que as pessoas colocavam em suas bikes, além de um pôster dizendo: “Você consegue, nós sabemos”. Eu chorei. Todos ainda têm aqueles adesivos em suas bicicletas.