Abolir o medidor de potência vai deixar o ciclismo mais emocionante?

Trevor Raab

Não tem nenhuma equipe no mundo que vista a camisa do treino à moda antiga melhor que a italiana Vini Zabù-KTM, da cidade de Pistoia. Kits neon? Check. Habilidades na internet jurássicas e desajeitadas como colocar a hashtag #lovemywilier sendo que agora eles usam bicicletas da KTM bikes? Check. Mas o que faz deles realmente ciclistas românticos à moda antiga italiana é que eles aboliram o medidor de potência nas competições. 

E pessoalmente, eu amo isso. Competir sem medidor de potência é algo que pode deixar bem as corridas mais emocionantes do têm sido nos últimos anos. 

Em uma entrevista à La Gazzetta Dello Sport, a publicação que fundou o Giro d’Italia e emprestou a cor rosada do papel em que era impressa à camisa icônica da prova, o gerente da equipe, Luca Scinto, explicou que deu um corte na tecnologia porque está cansado de ver seus atletas confiando na tecnologia para dizer como eles se sentem. “Cansei de ouvir eles falando ‘fiz 400 watts e ainda fui ultrapassado’ ou ‘não consegui passar de 300 watts porque estava num dia ruim'”, disse. De acordo com o Twitter da equipe, nas provas, todos os aparelhos serão banidos, inclusive GPS.

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Muitos amadores se entregaram de corpo e alma aos medidores de potência para treinar; a ferramenta tem sido a base de treinos dos pelotões há anos. Scinto ainda permite que os atletas treinem usando medidor de potência, mas decidiu que nas provas, eles vão competir como os ciclistas do passado: sem dados. 

Há quem diga que abrir mão do medidor de potência coloca a equipe em desvantagem, mas na maioria das corridas, eles não trazem benefícios práticos. Toms Skujins, da Trek-Segafredo, disse à Bicycling que em corridas ele controla apenas “velocidade, distância e tempo, para saber onde estou na corrida e se tem um sprint ou escalada à frente. Nunca olho para o medidor de potência em corridas”. Claro, é diferente no contrarrelógio. Muitos ciclistas usam a potência para regular a intensidade do esforço. Mas contrarrelógios são apenas uma pequena parte do mundo das provas. 

Mesmo o GPS pode não fazer falta se a equipe ainda usa rádio (e a Vini Zabù-KTM não se pronunciou sobre isso ainda). Skujins nos disse que o companheiro de equipe Bauke Mollema às vezes compete sem computador, confiando nas informações que a equipe passa por rádio e nos colegas. E a falta de um GPS pode ser até um benefício concreto: sem computador, as bikes ficam mais aerodinâmicas. 

O maior prejuízo de não usar medidores de potência: a falta de dados pós-prova. Mesmo que você não olhe para o medidor de potência durante a prova, ele ainda assim registra seus dados de performance e te dá informação valiosa sobre o desempenho na prova.

Mas mesmo com estes contras, pense nos ganhos! Abandonar os medidores de potência tornaria as provas muito mais emocionantes. Fãs de ciclismo ficariam encantados de ver o ciclismo voltar para a era dos ataques e fugas e atletas indo até seu limite e quebrando, em vez de fazendo a conta exata (e chata) de quantos watts por quilo devem fazer numa escalada. Basta lembrar como foi a abertura do Tour de France do ano passado.  

Ok, sabemos que é bem improvável uma equipe continental pequena da Itália mudar o caráter das provas sozinha. Mas esperamos que esse banimento do medidor de potência seja um passo na direção de corridas mais dramáticas e emocionantes. Vai ser fácil acompanhar a Vini Zabù-KTM essa temporada: os kits neon são impossíveis de passar despercebidos.