3 táticas para afastar o câncer de pele — pedalando no sol

Mesmo no inverno, pedalar no sol exige cuidados para afastar o câncer de pele

Mesmo no inverno você deve se proteger do sol (Foto: Caiaimage/ Richard Johnson)

Por Patricia Beloni

É a velha ladainha que todo mundo sabe de cor, porém poucos realmente seguem à risca: pedalar nos faz passar horas ao ar livre e, por isso, exige cuidados essenciais para a pele. Apesar de a grande maioria dos ciclistas ter consciência disso, ainda é comum encontrar colegas de pedal que não protegem a pele de nenhuma maneira – mesmo sendo essa uma questão, literalmente, de vida e morte: câncer de pele não é brincadeira

Mas que fique claro: o sol não é vilão. Ele traz diversos benefícios para o corpo – por exemplo, ajuda na produção de vitamina D (importante para os ossos e os músculos) e estimula a liberação de endorfina e serotonina, hormônios que proporcionam a sensação de bem-estar. Mas também pode causar câncer de pele, alguns extremamente agressivos.

Um dos três tipos de câncer de pele tem relação direta com os raios ultravioletas emitidos pelo sol (mesmo fora do verão). Chamado de melanoma, atinge pessoas que já possuem uma propensão genética a desenvolver câncer (se alguém da família teve algum tipo de tumor, então o risco existe).

“Se a pessoa possui essa predisposição e não se cuida, não se protege do sol, não usa protetor solar, é só uma questão de tempo até ela desenvolver a condição. Por isso é preciso atenção redobrada com a exposição solar”, explica o dermatologista e atleta amador Joaquim Mesquita, coordenador da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Grupos de risco

Em geral, o melanoma costuma surgir em adultos mais jovens, por volta dos 30 anos. Nos homens, ele aparece no tronco, enquanto que nas mulheres a parte mais sensível são as pernas. Quem tem pele clara que fica vermelha facilmente (e dificilmente se bronzeia) corre mais risco, assim como quem se exercita debaixo de sol com frequência. “Essas pessoas precisam ter um cuidado mais do que redobrado”, explica o especialista.

Isso não significa que aqueles com um tom de pele mais escuro não desenvolvam a doença. Joaquim lembra do caso de Bob Marley, que teve melanoma de extremidade (embaixo da unha do dedo do pé). Na época, os médicos acharam que era um hematoma, e só depois de três meses resolveram fazer a biópsia. Quando descobriram que se tratava de um câncer de pele, decidiram pela amputação do membro, porém o cantor se recusou. O melanoma se disseminou e o levou à morte.

Atenção aos sinais de um possível câncer de pele

O melanoma surge como uma mancha geralmente escura. Pode ter a aparência de uma pinta, e ele só é diagnosticado como o câncer de pele quando começa a alterar suas características. A pinta cresce (mais de 6 mm), muda a forma, a cor aparenta ter dois ou mais tons, aumenta de diâmetro, se torna assimétrica e pode apresentar bordas irregulares. Segundo Joaquim, já é possível identificar o câncer de pele em ⅓ das pessoas só com esse sinal.

Atenção ao corpo

O mais difícil de identificar é o melanoma amelanótico. “Nesse caso, a mancha tem pouco pigmento, e a coloração é ‘vermelha sangrenta’”, explica o especialista. Por isso é importante sempre estar atento ao próprio corpo. Qualquer sinal diferente que aparecer, o ideal é procurar logo um médico. Isso porque, apesar de ser um dos cânceres mais raros, também é um dos mais agressivos. Ele pode se desenvolver precocemente e sair do seu ponto de manifestação inicial, se espalhando para o resto do organismo e atingindo outros órgãos do corpo, como o coração e o cérebro – no processo conhecido como metástase.

E o seu tratamento não é nada simples. Consiste em um procedimento cirúrgico se for detectado na fase inicial, em conjunto a terapias adjuvantes para evitar o retorno do tumor. Em casos mais avançados, além de tirar o melanoma, pode ser necessário amputar o membro e fazer quimioterapia. Mas Joaquim alerta que a chance de reincidência é muito alta, então o mais importante é ficar sempre atento. 

Três táticas para evitar o melanoma

Pedale na “horas boas”

De acordo com o dermatologista Joaquim Mesquita, não tem jeito: é preciso evitar o sol forte. O ideal é escolher horários em que a incidência solar é menos agressiva. Ou seja: nas primeiras horas da manhã (antes das 8 h) ou no fim da tarde. Isso porque existem dois tipos de radiação solar: um mais cancerígeno que o outro, e o mais perigoso tem seu pico por volta do meio-dia. 

Use protetor solar

Independentemente do horário em que for pedalar, é indispensável o uso de filtro solar, especialmente aqueles criados para a prática de atividades físicas. Segundo Joaquim, o fator de proteção tem que ser de pelo menos 60, e é preciso reaplicar o produto depois de 2 horas – ou até antes se a pessoa suar muito. “Também é imprescindível passar o filtro solar na orelha e nas pernas. Em atividades físicas mais longas, quando a exposição solar é muito intensa, é preciso reaplicar o filtro solar”, alerta.

Roupas e acessórios

Não é preciso cobrir todo o corpo durante o pedal, principalmente no calor. De acordo com o dermatologista, o importante mesmo é focar no uso do protetor solar e se lembrar de usar proteção no rosto. Se puder usar roupas e acessórios com fator de proteção no tecido, melhor ainda.