Álcool e óleo de cânhamo saem da lista de substâncias proibidas pela Agência Antidoping

Pouco muda com a atualização da Lista Proibida da Agência Mundial Antidoping (WADA), que entra em vigor em 1º de janeiro de 2018

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Por Alberto Pellegrini

A lista é publicada anualmente em outubro para garantir que os atletas e seu staff tenham tempo suficiente para se conscientizar das mudanças, revisar os medicamentos que utilizam e solicitar uma Isenção de Uso Terapêutico (TUE), se necessário, antes da entrada em vigor da lista atualizada no início do ano novo.

As principais mudanças para 2018 incluem:

– Canabióides: o cannabidiol sintético – ou seja, o óleo CBD – não é um canabimimético e, portanto, não é proibido nos Cannabinoides S8. Contudo, os atletas devem ficar atentos com produtos que contenham o THC, substância presente na maconha, que segue proibido.

– Álcool também será removido da lista, cabendo às Federações aplicar seus próprios protocolos para uso de álcool. O álcool era vetado pela WADA em quatro modalidades: esportes aéreos, automotivos, tiro com arco e powerboating (competição de velocidade no mar).

– Salbutamol, presente em inaladores para problemas respiratórios: as doses permitidas foram definidas e não devem exceder 800 microgramas a cada 12 horas. A substância esteve associada em estudos com atletas amadores a ganho de performance e na função respiratória, muscular e esquelética.

– O volume e o tempo permitidos das infusões intravenosas aumentaram. Em 2017, as infusões não poderiam ser superiores a 50 mililitros (mL) por período de 6 horas; em 2018 não poderão ser mais de 100 mL por período de 12 horas.  As infusões intravenosas e/ou injeções de qualquer substância acima de 100 mL por período de 12 horas serão proibidas em 2018, com exceção de atletas que comprovem estar sob tratamento hospitalar, procedimentos cirúrgicos ou clínicas de diagnóstico.

– No caso de substância proibida administrada por via intravenosa ou por injeção, uma TUE continuará sendo necessária para esta substância, mesmo que a infusão ou injeção seja inferior a 100 mL.

– O estimulante 1,3-Dimetilbulilamina (DMBA) foi adicionado à lista. Os atletas devem permanecer vigilantes quanto a esta substância, que pode ser encontrada em alguns suplementos dietéticos.

– Alguns tipos de glicocorticóides comumente usados, como os glicocorticóides S9, entraram na lista. São substâncias antiinflamatórias muito potentes, que também aumentam a capacidade respiratória e diminuem a fadiga.

– Glicerol sai da lista: deixa de ser proibido em 2018 após ter sido removido da seção Diuréticos e agentes de mascaramento. A glicerol aumenta a quantidade de água nas células e tecidos, deixando o atleta hiperidratado. Entre 2010 e 2017, ele foi considerado doping porque seria um possível agente mascarante de outras substâncias, ao aumentar o volume de plasma e deixar as substâncias presentes na corrente sanguínea mais diluídas.

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