Aventura raiz: em 1927, ele pedalou de Salvador até Nova York

A história de Rubens Pinheiro, que aos 17 anos pedalou do Brasil aos Estados Unidos, é um conto de coragem

(Foto: Arquivo Família Pinheiro)

Uma história, uma típica “aventura raiz”, resgatada pelo site da BBC News Brasil nos faz repensar sobre os limites da aventura: em 1927, Rubens Pinheiro, então com 17 anos, saiu pedalando de Salvador com um destino: chegar a Nova York, nos Estados Unidos, cidade que até então ele só conhecia por fotografia.

Se até hoje fazer isso não é para qualquer um, imagine há 90 anos então.

Rubens iniciou o pedal em 15 de março de 1927. Partiu de sua cidade, Salvador, na Bahia, rumo à então cidade mais importante do mundo: Nova York.

Como é relatado na matéria da BBC, ele acordou cedo, despediu-se da mãe e da irmã e seguiu até a porta do jornal Diário de Notícias, que faria a cobertura de sua aventura raiz. Mais de 100 ciclistas já o aguardavam ali, para acompanhá-lo nos primeiros quilômetros.

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Aventura raiz

Rubens demorou dois anos para pedalar com sua bike Opel entre essas duas cidades. Percorreu mais de 18 mil km e cruzou 11 países.

Antes de partir, conseguiu arrecadar uma grana com alguns comerciantes de Salvador. E se mandou, disposto a enfrentar qualquer perrengue – o que não faltou.

Um acidente, ainda na Bahia, o obrigou a voltar a Salvador para consertar a bicicleta. Mas ele caiu novamente na estrada, e as aventuras recomeçaram.

No Pará, teve que passar um dia inteiro em cima de uma árvore para driblar o ataque de uma onça. Na Venezuela, conseguiu uma contribuição em dinheiro com o presidente desse país. E, na Nicarágua, foi capturado por fuzileiros ao ser confundido com um guerrilheiro.

Ufa!

Rubens chegou a Nova York no dia 1 de abril de 1929.  Encantado com a cidade, ficou por ali até junho daquele, quando seu visto de permanência naquele país expirou e ele teve que voltar ao Brasil.

No tempo em que morou nos Estados Unidos, sobreviveu lavando pratos em um restaurante. Também trabalhou na General Motors.

Na volta ao Brasil, a bordo do navio Southern Cross, seu feito e sua presença foram totalmente ofuscados pela então Miss Brasil Olga Bergamini de Sá, que retornava ao país depois de ter participado de um concurso nos EUA.

E por aqui Rubens nunca teve o reconhecimento que imaginara. Ele chegou a ter sua bicicleta exposta na vitrine da loja Mesbla, no Rio de Janeiro. Ele também chegou a trabalhar em um circo. Mas se acidentou seriamente no globo da morte.

Em 1979, foi homenageado na Igreja do Bonfim, em Salvador, pelos 50 anos que sua épica viagem de bicicleta completava. Naquele mesmo ano, escreveu um livro de 68 páginas contando sua história e sua aventura. Nele, Rubens se auto intitula “um herói esquecido”.

Rubens Pinheiro morreu em 1981, aos 71 anos. E, mesmo que não tenha tido o reconhecimento desejado ou merecido, seu espírito desbravador e corajoso ficará gravado na memória de nós, ciclistas!