Cinco etapas imperdíveis do Giro d’Italia 2018

De subidas em caracóis a chegadas no cascalho: confira cinco etapas que podem definir a primeira das três "grandes voltas" da temporada

(Foto: giroditalia.it)

Por Whit Yost* 

O PERCURSO DO Giro d’Italia 2018 foi anunciado em Milão ainda no final de 2017, com toda a polêmica e cerimônia que se espera de um Grand Tour na Itália. Mas a 101ª edição desta prova — que começa na próxima sexta-feira (04/05), com um contrarrelógio individual de 9,7 km em Jerusalém — promete ser uma das mais empolgantes. Em grande parte, graças a esse homem: Chris Froome, do Team Sky. Se o vencedor do Tour de France e da Vuelta a España em 2017 levar também o Giro 2018, ele vai se reunir a lendas como Eddy Merckx e Bernard Hinault no panteão dos ciclistas, que venceram três ou mais Grandes Voltas na sequência.

A tarefa não será fácil. Muitos competidores fortes vão estar do Giro, como o campeão italiano Fabio Aru (UAE Team Emirates), o francês Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) e o holandês Tom Dumoulin (Team Sunweb), campeão do Giro no ano passado.

As 18 equipes do UCI Pro Tour foram automaticamente convidadas, além de quatro wildcards. O Israel Cycling Academy é um dos times incluídos nesta condição. Os outros três são o Androni-Sidermec-Bottecchia, o Bardiani-CSF e o Wilier Triestina-Selle Italia.

Veja a seguir cinco etapas que podem realmente definir a prova:

1 – Um começo não convencional

Dillemma Photography

Com três etapas em Israel, o Giro de 2018 vai ser o primeiro Grand Tour da história a começar fora da Europa. Ele começa com um contrarrelógio técnico e cheio de curvas de 9,7 km no centro histórico de Jerusalém – que lembra a penúltima etapa do Tour de France de 2017, no centro de Marselha. Froome venceu essa etapa e é um favorito para levar a maglia rosa de líder da prova. Dumoulin promete ser a maior ameaça a Froome, não só nessa etapa, mas na prova toda.

2 – De volta à Sicília

Claude LeTien

Depois de três dias em Israel, o transfer traz de volta os ciclistas para a Sicília para três etapas duras, a última terminando no alto do Monte Etna. Vão ser dias quentes e de subidas fortes. As etapas 4 e 5 têm ventos fortes, com subidas curtas íngremes que podem ser difíceis de controlar. Bicampeão do Giro, o italiano Vincenzo Nibali, da Bahrain-Merida, não vai participar da prova, para focar no Tour de France. Sua equipe, a Bahrain-Merida, que estará representada pelo seu irmão, Antonio Nibali, costuma atacar forte os principais rivais. E é bom que eles reajam logo: a subida longa e constante para o observatório no Etna, na etapa 6, é o perfil tanto de Froome quanto de Dumoulin.

3 O retorno a Zoncolan

Dragoncello

Nesse ano, o Giro terá uma passagem dura, na etapa 14: o famigerado Monte Zoncolan, nos Alpes Cárnicos. Uma subida com uma média de 12% de inclinação, que chega a 22% ao longo dos 10.1 km, o Zoncolan é uma das subidas mais duras da história do Giro. Pode ser nessa etapa rainha que os rivais de Froome e Dumoulin recuperem um pouco de tempo, uma vez que os dois ciclistas têm dificuldade em subidas super inclinadas, em que é difícil manter o ritmo. O campeão italiano Fabio Aru, que venceu a primeira etapa de subida do último Tour, se dá bem nesse tipo de terreno e vai fazer de tudo para aproveitar essa vantagem.

4 – Um contrarrelógio sob medida para Froome

Jeff Pachoud/Getty Images

Se Froome e Dumoulin perderem tempo até o final da segunda semana, eles devem recuperar muito ou tudo durante o contrarrelógio individual e plano de 34,5 km que abre a terceira semana. Será uma etapa fascinante para vermos o trabalho de dois dos maiores especialistas na modalidade do mundo. 

5 – Desfecho alpino

Mario Forcherio / EyeEm

Antes da etapa final no centro de Roma, a corrida passa por 3 dias nos Alpes, onde três montanhas devem determinar o vencedor. A etapa 19 deve ser a mais dura, com quatro subidas categorizadas, incluindo uma bem dura, com chegada na Bardonecchia. Mas é o Colle delle Finestre, a segunda subida do dia, que vai deixar os competidores ansiosos e os fãs vibrando. A montanha mais alta da corrida, a Finestre, é longa e constante, com gradiente médio de inclinação de 9%, mas os 8 últimos quilômetros não são asfaltados, o que acrescenta um toque de gravel a uma subida brutal por si só. O cume está a 70 km da chegada, mas essa subida ainda tem um papel central em determinar quem vencerá a etapa — e possivelmente o Giro.

(Atualizado em 02/05/2018)