Começam as Clássicas de Primavera

Elas agitam a cena ciclística na Europa e ajudam a esquentar os ânimos para as Grandes Voltas

Por Erika Sallum

ENQUANTO OS EUROPEUS congelam nas baixas temperaturas, seus corações — e também os nossos aqui nos trópicos — começam a se aquecer com o início das Clássicas de Primaveras, como são chamadas as provas de um dia de duração mais míticas do calendário internacional profissional. A temporada 2018 tem início (eba!) neste sábado, dia 24 de fevereiro, com a Omloop Het Nieuwsblad, na Bélgica. Não há uma definição oficial do que exatamente significa uma prova “Clássica de Primavera”, mas algumas já são tão antigas e povoam nossos corações com tanta intensidade que só a menção do termo “Spring Classics” nos leva a sonhar com nomes como Paris-Roubaix, Strade Bianche e Milan-San Remo.

Com sua primeira edição ocorrida em 1945, a Omloop oferece tudo o que o apaixonado por ciclismo de estrada curte nesse tipo de competição: clima cabuloso, neste caso com frio de lascar, muitas vezes com nevascas, paisagens dramáticas de uma Europa meio sombria e, claro, um trajeto duríssimo. Na Omloop, serão 196.2 km (e 121 km na versão feminina, no mesmo dia), com 13 subidas de chorar, três das quais em paralelepípedos (daí também o termo “Cobble Classics”, também usado para designar esses eventos). Entre as pirambas, há dois “paredões” íngremes: o Muro de Geraardsbergen, a 26 km da linha de chegada, tem 475 metros e 9.3% de inclinação, com máxima de 19.8% (!!); seguindo de um setor de “pavés” batizado de Borberg, com 980 metros e inclinação máxima de 11%. A Omloop é para ciclistas casca-grossa, que curtem fazer muita força e esbanjam resistência de titãs — no estilo do atual campeão mundial Peter Sagan (que neste ano não vai participar, para tristeza da torcida).

Tem gente que acredita que a Omloop, por acontecer em fevereiro, não faz parte das Clássicas de Primavera — mas vá dizer isso a um belga para ouvir uma resposta atravessada. Para eles e para muitos fãs do ciclismo de estrada, a prova integra o calendário dessas clássicas com louvor.

No dia 3 de março, é a vez da lindíssima Strade Bianche, na Itália. Em sua edição 2018, a prova terá sanguinolentos 184 km, sendo que 63 km deles acontecem em estradas não pavimentadas, espalhadas por 11 setores (que levantam bastante poeira com a passagem dos ciclistas, daí o nome “estrada branca”). É um espetáculo de encher os olhos do público, que costuma lotar os acostamentos ao longo do percurso para saudar o cortejo de ciclistas.

Depois vêm a Milan-San Remo (dia 17 de março), o Tour de Flanders (1 de abril), a Paris-Roubaix (a mais famosa delas, em 8 de abril), entre outras. Todas agitam a cena ciclística na Europa e ajudam a esquentar os ânimos para as Grandes Voltas, como são chamadas as renomadas competições de várias etapas: o Giro d’Italia, o Tour de France e a Vuelta a España.

Para assistir a essas provas, muitas vezes o público brasileiro precisa ficar à caça de links na internet ou torcer para que algum canal pago de esportes transmita alguma delas. Mas todo o esforço vale a pena: nas Clássicas de Primavera, estão algumas das cenas mais poderosas desse esporte, que emocionam mesmo quem não é muito ligado à bike.