Como a bike ajudou um famoso chef de cozinha a parar de fumar

“Quero continuar me desafiando sempre”, diz Michael Voltaggio, 39

Por Ashley Mateo, para a Bicycling USA

Michael Voltaggio, 39, é o vencedor da sexta temporada do reality show Top Chef. Ele é um cara do tipo “tudo ou nada”. Então, quando decidiu, no ano passado, participar do Chef’s Cycle, um pedal beneficente de 480 km de três dias para promover uma campanha da ONG No Kid Hungry,— não tinha como ele não terminar. Não importa que não fosse ciclista e fumasse há mais de 20 anos.

Michael, que toca dois respeitados restaurantes em Los Angeles (EUA), começou a fumar na mesma época em que começou a cozinhar. “Eu tinha 15 ou 16 anos, e é isso que todo o pessoal da cozinha do restaurante fazia – é a única hora em que você tem um descanso”, diz Michael. “Quando sua vida é entreter as pessoas, a comida, a bebida e os cigarros vêm junto. Fumar, para mim, era mais um vício social do que qualquer outra coisa.”

Mas ainda era um vício, que pasosu de um cigarrinho para um maço por dia, antes que ele percebesse que precisava parar. “Eu sou um maníaco por me controlar, e não quero que nada me comande”, garante. Michael largou o cigarro com a ajuda de Nicorette, marca com a qual ele fez parceria para lançar o site stories.quit.com, uma plataforma inspiradora de casos semelhantes ao dele.

O ciclismo, no entanto, desempenhou o mesmo papel. “Meu irmão [o também competidor do Top Chef, Bryan Voltaggio] parou de fumar antes de mim, e também começou a pedalar antes”, diz Michael. “E eu fiquei com inveja da mudança que ele passou e quis descobrir o que havia de tão bom nisso.”

A Bicycling se encontrou com Michael Voltaggio para entender mais como a bike o ajudou a largar o péssimo hábito de fumar e a revitalizar sua vida.

BICYCLING:  O que a bike teve a ver com você largar um vício tão antigo?
Michael Voltaggio: Foi uma mudança no estilo de vida. Meu irmão me convidou para pedalar no Chef’s Cycle, algo que eu achava muito intenso. Mas saí para um pedal, depois outro e mais outro. Eu sou muito competitivo e orientado por objetivos, então uma vez que eu decidi que iria pedalar esses 480 km, não era para ser “meia-boca”. Continuei pedalando, treinando e fazendo o que precisava para terminar aquela corrida, o que significava não fumar.

Mas voltar para casa e poder dizer, “Fiz 130 km de bicicleta hoje”, foi o que mais me viciou. As pessoas olham para você como se você fosse louco. Então você diz: “Hoje pedalei 160 km.” Aí as pessoas olham para você como se você fosse ainda mais doido. “Percorri 380 km em uma bicicleta nos últimos três dias.” Ninguém acredita em você. Quando você consegue fazer algo assim, há um sentimento de realização que vem junto.

O fumo parece ser generalizado entre as pessoas que trabalham em restaurantes. Isso te prejudicou, quando você estava tentando adotar hábitos saudáveis?
Uma vez que eu comecei a me cercar de pessoas que eram da mesma opinião, no sentido de que elas estavam fazendo coisas que eram mais produtivas do que sair para fumar, eu tinha menos tempo para as pessoas que estavam fazendo coisas menos produtivas. Quando você tem o apoio ao seu redor – pessoas te ajudando a ser melhor, você passa a questionar aqueles antigos hábitos.

Mas eu acho que muitas das pessoas com quem trabalho tomaram decisões semelhantes para cuidar de si mesmas, talvez porque estamos envelhecendo, e há apenas um grupo de pessoas tomando decisões mais saudáveis. Eu nunca estive sozinho.

Você tem um enorme sucesso na cozinha. Como aplicou esse tipo de ética de trabalho ao ciclismo?
Eu tenho uma espécie de lema: “Sucesso não é aproveitar a vista do topo, mas a vista da escalada”. Bem, quando completei a minha primeira subida de verdade em uma bicicleta, isso contradizia toda a minha perspectiva, porque aquilo não era agradável. Mas era algo que eu poderia fazer de novo, e de novo, e sinto que fui realizando aos poucos.

Você estará pedalando no Chef’s Cycle novamente este ano. Você se sente mais preparado desta vez?
Estou fisicamente mais preparado para isso. Eu faço dois pedais longos por semana e faço aulas de ciclismo indoor três vezes por semana. Eu estou comendo mais saudável também. Quero fazer melhor do que no ano passado e ser um exemplo para outras pessoas. Não quero parar por aí. Pretendo continuar me desafiando. Tipo, “o que mais eu posso fazer? Escalar uma montanha?”. Eu nunca percebi que meu corpo era fisicamente capaz de fazer muitas coisas diferentes. Não sei se existe uma dependência saudável, mas definitivamente acho que peguei a mentalidade do que não é saudável e a apliquei a algo saudável.