Como foi construída a bicicleta mais rápida do mundo

Dissecamos a bicicleta que Denise Mueller-Korenek usou para pedalar a 296 km/h

A bicicleta mais rápida do mundo (Foto: Matt Ben Stone)

Por dentro da bicicleta mais rápida do mundo. Nesta semana, reportamos o feito da norte-americana Denise Mueller-Korenek, que pedalou a 296 km/h no vácuo de um carro dragster para se tornar a ciclista mais rápida do mundo – entre homens e mulheres.

Feitos como este são algo realmente impressionante e, claro, exigem esforços e treinos absurdos. No caso de Denise, ela também utilizou uma bicicleta especial. A bicicleta mais rápida do mundo teria que ser estável o suficiente para se manter estável em altíssima velocidade. Também os pneus tiveram que ser extra resistentes, e grandes engrenagens permitiram a maior aceleração que um ser humano já conseguiu em cima de uma bicicleta.

Veja no link o vídeo de Denise Mueller-Korenek quebrando o recorde mundial:

Mulher pedala a 296 km/h para quebrar um recorde mundial

Tudo começou pelos pneus

A bicicleta mais rápida do mundo é uma KHS, mas que na verdade foi projetada pelos engenheiros Len Lochmiller e Chris Garcia, de San Diego, Califórnia.

Eles utilizaram vários recursos. Em vez de começarem pelo quadro, preferiram se concentrar primeiro nos pneus, já que seria um desafio uma bicicleta chegar a quase 300 km/h sem que seus pneu se desfizessem pelo caminho.

O pneu escolhido foi um modelo IRC, projetado para puxar scooters no vácuo na Tailândia. Ele foi raspado inteiro. Só assim se certificariam que eram perfeitamente redondos, evitando oscilações. Eles usaram esses pneus porque simplesmente eram os mais fortes e confiáveis que conheciam. E colocaram uma câmera de ar, em vez de o utilizarem de modo tubeless, como geralmente são usados.

Rodas pequenas

Chris Garcia disse que as rodas foram desenhadas em torno dos pneus, e a bicicleta em torno das rodas. Para acomodar os pneus, ele usou aros de motos Akront de 17 polegadas, raios Phil Wood e cubos Profile Design, modificados por Garcia para acomodar raios maiores. Os raios foram perfeitamente balanceados para evitar qualquer instabilidade da bicicleta em alta velocidade.

Quadro especial

Bicicleta mais rápida do mundo
O projeto saindo do papel (Foto: Len Lochmiller, cortesia à Bicycling)

Len Lochmiller se dedicou intensamente para projetar o quadro dessa bicicleta, utilizando sua experiência em desing automotivo e de bicicletas. Ele queria uma bike que fosse estável em altas velocidades, dirigível em rodas de 17 polegadas e que fosse capaz de levar todas as engrenagens. Então ele utilizou o garfo de duas bikes Cannondale de estrada para construir o triângulo traseiro da bike de Denise. Ele pensou em suportes mais longos e resistentes, para acomodar as engrenagens e suportar a velocidade.

A confecção dos tubos superior e inferior foi um processo desenvolvido pelo próprio Len. A fibra de carbono foi enrolada em uma lâmpada fluorescente, e depois um saco plástico resistente envolveu os tubos. O ar então foi sugado, em um processo industrial, formando o carbono na forma do tubo. A lâmpada então foi esmagada e removida, produzindo um tudo muito mais espesso do que qualquer quadro de bike de estrada. Então o engenheiro envolveu o tubo com camadas extras, só para garantir a resistência. “Talvez nem fosse necessário, mas isso me ajudou a dormir à noite”, disse Len.

Geometria da bicicleta mais rápida do mundo

A geometria da bike de Denise foi baseada na bicicleta utilizada por Fred Rompelberg, que em 1995 chegou a 268 km/h, em um feito semelhante ao de Denise. O peso não é um problema para altas velocidades, e comprimento ajuda na estabilidade.

Engrenagem

O projeto das engrenagens desenhado à mão (Cortesia de Len Lochmiller à Bicycling)

A engrenagem combinada de coroas e cassetes da bike de Denise equivale a uma combinação de 204X11 dentes – uma só coroa deste tamanho rasparia no chão.

Garfo

Denise utilizou um grafo X-Fusion, de downhill, que teve seu curso reduzido, mas que ainda conseguiu suavizar os pequenos trancos no terreno acidentado do deserto de sal.

Câmera

Denise utilizou uma câmera para se comunicar visualmente com “sua motorista”, pois se ela perdesse o vácuo em velocidade crescente, não recuperaria mais – e muito provavelmente tomaria um tombo. Denise também utilizou equipamentos de segurança de moto para se mover a uma velocidade que provavelmente não experimentaremos nem dentro de um carro.