Compartilhando o amor pela bike

Uma emocionante carta de agradecimento a um pai que incentivou a filha a pedalar

Por Riley Missel

Pai,

DURANTE ANOS aquele quadro de aço ficou ali, pendurado no quartinho. Eu nunca quis pedalar. Não entendia por que alguém iria querer uma bike com um guidão retorcido e toda pintada de vermelho (em uma fase totalmente rosa-glitter da minha vida).

Mas, quando eu estava com uns 14 anos e meus joelhos começaram a bater no guidão da mountain bike roxa, você me disse que era hora de pedalar outra coisa. Esperei na calçada, enquanto você tirou do quartinho a Nishiki retrô de estrada. Depois que limpou todas as teias de aranha, vi que ela era linda. Vermelha, brilhante e quase do meu tamanho.

Você colocou pedais nela, para que eu conseguisse usá-la com meus All Star. Depois de avaliar bem minhas pernas, abriu a ruidosa alavanca que prendia do canote e baixou o selim. Dei umas voltas, pedalando em círculos, balançando e hesitando — e detestei aquilo instantaneamente. Era muito estranho inclinar tanto para frente, empoleirada em um selim tão magricelo. Desmontei, e você ajustou mais umas peças que eu nem imaginava que eram móveis em uma bike. Finalmente eu me senti confortável o suficiente para pedalar até a sorveteria. Aquela agora era minha bike. Pedalei para a praia, para a aula de natação, para meu trabalho de lavadora de pratos. Eu não sabia dirigir, então a Nishiki significava liberdade. Você até que tentou me ensinar a trocar de marchas acionando as alavancas do tudo superior, mas acho que pedalei com uma só marcha o verão inteiro.

Você havia comprado essa bike para a mamãe na década de 1980. Depois que ela morreu, quando eu tinha 2 anos, muitas das suas coisas foram doadas. Obrigada por guardar a bike para mim.

O dia em que você a tirou do quartinho foi o começo de uma fase de muito divertimento – mas só agora eu vejo que foi mais uma continuação. Aquela bike já tinha uma história de aventuras quando eu comecei a acumular com elas também as minhas. Ao pedalar, desenvolvi força nas pernas e um amor por estar ao ar livre.

Desde então, passei para bikes mais rápidas e mais leves, porém sempre abro um sorriso ao ver a bicicleta da mãe pendurada na parede. Obrigada por baixar o selim, e por me dar um pedacinho dela.

*RILEY MISSEL é assistente editorial da Bicycling USA.