Competição de bike fixa na trilha

Como um brasileiro tem dado novos ares ao ciclocross em Barcelona  

ATUALMENTE MORANDO EM Barcelona, o fotógrafo paulista Gabriel Rodrigues é um aficionado por bike desde sempre: começou competindo no BMX, quando ainda era moleque. Depois descobriu o mountain bike e passou a fazer provas de maratona e downhill. Até, finalmente, se ver imerso no mundo das fixas. “É onde eu posso reencontrar os amigos e me divertir, mais ainda do que no ciclismo de estrada”, diz.

Na Espanha, Gabriel também se aproximou do ciclismo italiano, descobrindo grandes competições de ciclocross nas bikes fixas que ele tanto ama. No ano passado, correu sua primeira temporada de ciclocross, pedalando de singlesspeed com roda livre — uma modalidade no mínimo original, convenhamos.

“Foi bem difícil”, lembra ele, que competiu na categoria elite. “Uma prova de quase uma hora pedalando em uma ‘única marcha’. Tomei muito na cabeça, mas foi legal para entender e voltar a pedalar na terra.”

Ele também quer ajudar a disseminar essas provas de fixa em terrenos off-road e, por isso, no ano passado, organizou um evento desse tipo em Barcelona.

O lugar perfeito que encontrou foi em Montjuïc, em uma praça gramada cercada por uma área que seria ideal para a corrida e também para o público espectador socializar. “Minha grande meta, além de fazer essas corridas, é promover encontros entre amigos”, reforça.

Deu certo. Em 2017, nasceu a Desert Fixed, cujo primeiro apoio veio da marca de cerveja Moritz, (no universo das fixas, pedal e breja costumam ser a melhor combinação) que colaborou com 150 garrafas para “patrocinar” a festa de confraternização. “Foram 14 competidores em uma única categoria, que misturava bikes fixa e singlespeed”, conta Gabriel.

Mas ele viu que funcionaria melhor se dividisse em duas categorias distintas. E, em março deste ano, na segunda edição da prova, as corridas de fixa e singlessped aconteceram separadamente.

Até as bikes com marchas poderiam participar, desde que o competidor escolhesse apenas uma combinação, na qual que seria “travada” pela organização. “É um circuito de ciclocross de verdade, com subidas, descidas, saltos, galhos”, diz Gabriel. “Só que, com fixas e singlespeeds, tudo fica mais difícil.”

Na segunda edição, participaram 27 ciclistas, sendo 18 na categoria fixa e 9 na singlespeed. “Acho que agora encontrei um formato bacana”, acredita Gabriel, que já tem planos para a próxima edição da Desert Fixed, além de já estar sendo chamado para organizar outros eventos de bike pela cidade onde mora — uma prova de que tem feito a coisa certa.

https://www.youtube.com/watch?v=S0N6ICtv0SM&feature=youtu.be