Conheça o primeiro megafestival de MTB só para mulheres

Conversamos com sua fundadora Ash Bocast, para entender como o Roam Bike Fest será diferente de outros festivais de ciclismo e por que ainda precisamos de eventos de mountain bike somente para mulheres

Ash Bocraft, no fundo, criou o Roam Bike Fest, o primeiro grande evento exclusivo para mulheres, que rola em outubro. MAXINE IRVING

Por GLORIA LIU

Os festivais de bicicleta capturam algumas das melhores partes do ciclismo: boas trilhas em um local especial, novos amigos, camping e muita cerveja. Mas se você esteve na maioria dos festivais de mountain bike, provavelmente você percebeu que a maior parte do público é de homens.

É por isso que Ash Bocast começou o Roam Bike Fest. Um festival de mountain bike de três dias, só para mulheres. A primeira edição será de 27 a 29 de outubro em Sedona, Arizona. Ao longo do fim de semana, as participantes irão desfrutar de testes com modelos da Specialized, Liv, Yeti e Juliana; oficinas de tecnologia pela SRAM; pedais de grupo guiados, serviço de transporte; e cafés, jantares e happy hours para conhecer outras atletas e influenciadoras da indústria de bicicletas.

Bocast, 32, é uma antiga guia de ciclismo e ciclista de testes para Liv, onde se dedicou conjuntamente ao planejamento de eventos, a desenvolver o programa de testes nacional da marca. Conversamos com Bocast para saber sobre o que faz o Roam especial, e porque precisamos de um festival feminino de mountain bike.

BICYCLING – Este é o primeiro festival feminino de mountain bike que existe?
Ash Bocast – Eu prefiro pensar que ele é o mais “abrangente”. Há o Festival de Mountain Bike feminino de Nova York, que é um único dia de clínicas e de pequena escala. Eu posso garantir que ninguém nunca um festival feminino de bicicletas na proporção que propomos.

Há muitos festivais de mountain bike, e dentro desses festivais têm pedais e clínicas femininas. Por que você viu a necessidade de um festival exclusivo para mulheres?
Eu acho que muitas mulheres se sentem mais confiantes e mais inclinadas a se juntar a eventos de bicicleta, ou eventos esportivos em geral, se eles são específicos para mulheres. Clínicas e eventos femininos são um pouco mais inclusivos do que as provas ou do que um festival padrão, e definitivamente há mais interação entre as marcas e as mulheres que estão participando. Mas nem todos precisam ou querem fazer uma clínica. Então, Roam Fest combina a atmosfera inclusiva que acontece nas clínicas femininas com uma experiência maior.

Mas você não tem clínicas de habilidades no cronograma, o que é meio surpreendente.
Quando eu estou tentando trabalhar especificamente em uma habilidade ou melhorar minha performance, há essa pressão adicional [no contexto de uma clínica]. E isso pode deixar de ser uma experiência divertida, se tornando às vezes frustrante, até mesmo assustadora. Nós não queríamos que ninguém chegasse ao festival para ter esse estresse. Então nos concentramos mais em oficinas: uma experiência de baixo risco e baixa tensão.

O que se muda em um evento de mountain bike exclusivo para mulheres em comparação a um comum?
É tão difícil colocar esse sentimento em palavras. Quando um cara está no grupo, vou usá-lo como meu padrão de comparação. Quando são mulheres, é muito mais relaxado. Na minha experiência, as mulheres gostam de se comunicar. No pedal é bom se paramos algumas vezes para conversar sobre o que aconteceu no último fim de semana.

Eu sei que há muitas mulheres que não gostam de eventos específicos para mulheres, porque acham que é um monte de Barbies, que não pedalam. Realmente tentamos preencher essa lacuna criando essa atitude inclusiva e acolhedora, reconhecendo que também estamos aqui para enfrentar desafios.

Há uma quantidade razoável de oficinas educacionais no cronograma, como a oficina de instalação de suspensão da SRAM. Foi isso que você sentiu que era importante?
Toda vez que você tiver uma oportunidade de aprendizagem, é um valor acrescentado ao evento. Poderíamos ter um monte de marcas e montar tendas e dizer: pegue uma bike e dê uma volta. Mas queríamos oferecer tanto valor para as mulheres que chegavam a esse festival quanto possível.

Qual a oficina as pessoas não podem perder?
As diferentes clínicas de tecnologia SRAM são cruciais por torná-las independentes ao se capacitarem em montar sua bicicleta e curtir mais o pedal. A oficina de viagens da Katie Holden (atleta de aventura) é impressionante. Depois de assisti-la, eu estava tipo, ok, como faço para reservar uma passagem de avião para a Jordânia?

Sobre essas mulheres que não gostam de participar de eventos femininos. Elas deveriam vir para Roam Bike Fest?
Claro! Se você quer pedalar até as pernas caírem, temos um grupo de garotas que ficam totalmente felizes em desbravar trilhas e pedalar até ficar escuro, voltando loucas por uma cerveja. Por exemplo, a ex-campeã nacional e ciclista profissional Kelli Emmett está saindo com a equipe Juliana Free Agents. Mas também teremos pedais para garotas que ficam totalmente felizes com duas horas a um ritmo muito suave, com muitas paradas e conversa.

Você fez perguntas como: “Precisamos de um festival de mountain bike somente para mulheres? Não seria melhor se tentássemos integrar mais mulheres em nossos eventos atuais?”
Idealmente, estaríamos em um lugar onde os eventos seriam tão inclusivos e confortáveis para que as mulheres participarem quanto os eventos apenas para mulheres. Mas até que os eventos coletivos realmente façam as mulheres se sentirem incluídas e bem-vindas, é preciso ter eventos focados nelas. Os eventos ao ar livre sempre foram dos garotos, e só recentemente que as mulheres começaram a sentir incluídas. Você pode ter um fim de semana divertido com os rapazes, mas é realmente especial compartilhar essa experiência com outras garotas.

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