Coronavírus tranca equipes no hotel, mas Milão-Sanremo deve acontecer

O ciclista australiano Nathan Haas faz piada da situação de confimamento. Reprodução YouTube

Se há poucos dias, uma onda de temor arrepiou todos entre o UEA Tour e o começo das clássicas de primavera por conta do coronavírus, a perspectiva agora é mais positiva. A RCS Sport, co-organizadora do UEA Tour, é responsável pelas provas mais importantes da Itália: o Giro, a Strade Bianche, a Milão-Sanremo. E afirma que as provas previstas para as próximas semanas, devem ocorrer normalmente.

A Strade Bianche feminina e masculina estão agendadas para 7 de março. A Tirreno-Adriatico, entre a Toscana e o litoral do Adriático, para 11 a 17 de março. E Milão-Sanremo para 21 de março. A organização e as equipes devem ir para Siena com alguns dias de antecedência para se preparar para a Strade Bianche, e para isso, precisam de autorização. Hoje a RCS confirmou as provas para as equipes por email, porém deixando claro que o cancelamento pode ocorrer a qualquer momento.

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Os surtos que estouraram na Lombardia e no Vêneto nas últimas semanas deixaram 1500 pessoas com diagnóstico positivo para o coronavírus, 639 em observação no hospital, 140 na unidade de terapia intensiva e 41 mortos – quase sempre pacientes idosos e que já estavam debilitados por outras doenças. As autoridades estão acompanhando a evolução dos surtos e avaliando as orientações de quarentena semana a semana. 

Com relação aos eventos esportivos, apenas Vêneto, Lombardia e Emilia-Romagna tiveram restrições, que já estão sendo revistas.

Estrelas nas Clássicas de Primavera

A Strade Bianche ainda tem confirmados nomes como Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Wout Van Aert (Jumbo-Visma), Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Alejandro Valverde (Movistar) e Michał Kwiatkowski (Team Ineos), assim como a estrela dos Grand Tours Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo). Na prova feminina, a campeã de 2019, Annemiek van Vleuten, estará presente.

Na Tirreno-Adriatico, Remco Evenepoel deve liderar a Deceuninck-QuickStep, que terá confirmados também com Geraint Thomas (Team Ineos), Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) e Greg van Avermaet (CCC Team).

Confinamento continua: suspeitas de casos

Desde o cancelamento das duas últimas etapas da prova, mais de 600 atletas e membros da equipe que participaram do UAE Tour, nos Emirados Árabes, foram testados para o Covid-19. Até agora, todos os resultados foram negativos, mas uma parte das pessoas seguem em isolamento do hotel sendo testadas novamente. Isso inclui as equipes Gazprom-RusVelo, Cofidis and Groupama-FDJ. 

“Eu estou calmo, mas a quarentena de coronavírus no UAE está levando todos a um pandemônio”, disse o ciclista australiano Nathan Haas, da Cofidis, ao site Cycling News. Ele afirmou que embora esteja tranquilo, já está vendo colegas irritados pelos testes não terminarem e serem todos liberados. Os dois casos que foram tiveram resultados positivos foram retestados com resultado dessa vez negativo. 

Mesmo que as equipes sejam imediatamente liberadas, já perderam pelo menos uma semana de treino, que deve se refletir nos resultados das próximas provas. São cinco dias já sem pedalar.  Entre os atletas de quarentena, estão Chris Froome (Ineos), Alejandro Valverde (Movistar) e Caleb Ewan (Lotto Soudal). 

A UCI disse em um comunicado que “está acompanhando diariamente a evolução desta epidemia e as potenciais consequências para a organização das provas internacionais. A UCI também está preocupada em proteger os ciclistas de todos os riscos de contaminação e evitar espalhar o coronavírus para outros países.”

Trancados no hotel, os ciclistas Nathan Haas, da Cofidis, e Attilio Viviani, fizeram piada com o confinamento no hotel nos Emirados Árabes.