Deborah Herold: de sobrevivente de tsunami à estrela do ciclismo

Aos 23 anos de idade, Deborah não se sente intimidada com competições nem cobranças, mas a sua vida é uma prova de superação e quebra de barreiras

Deborah levanta sua bike, o agente de sua transformação (Fotos: Facebook Deborah Herold)

As chances de medalha da Índia no ciclismo de pista nos próximos Jogos Asiáticos (que começam no dia 18 de agosto, na Indonésia), se chama Deborah Herold.

Aos 23 anos de idade, Deborah não se sente intimidada com competições nem cobranças, mas a sua vida é uma prova de superação e quebra de barreiras.

“Sei que posso pedalar bem e bater recordes, mas eu não me preocupo com o tempo das minhas adversárias”, diz.

Natural das Ilhas Andamão, Deborah Herold colocou seu país no noticiário ciclístico em 2015, depois de ficar entre as top 5 do ranking mundial. Ela virou a garota-propaganda do ciclismo indiano, e o fato de ter sobrevivido a um tsunami, em 2002, contribuiu para que sua história chamasse a atenção de qualquer um.

“Não sei se a experiência do tsunami me deixou mais resistente”, diz. “Só sei que não quero desistir de uma corrida no velódromo até que ela termine.”

Deborah Herold: no meio do caminho havia um tsunami

Deborah tinha apenas 9 anos quando o vilarejo de Kakana, onde ela morava, foi devastado por um tsunami. Ela ainda se lembra de tudo. “Era de manhã cedo quando as águas revoltas invadiram nossa casa. Minha mãe me carregou junto com meus irmãos para um lugar seguro. Mas era muita água, e certa hora eu me desprendi das mãos dela”, conta Deborah.

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Sozinha, sem saber para onde ir, a indiana escalou uma árvore e ficou ali, empoleirada, esperando a água baixar ou alguém socorrê-la. Ela permaneceu ali durante cinco dias (isso mesmo, cinco dias!), comendo apenas as folhas da árvore, até que os bombeiros finalmente chegaram para resgatá-la. “Eu estava muito fraca para me mexer, mas aos poucos, me recuperei. ”

Carreira no ciclismo

Desde então, se tornar a ciclista mais conhecida da Índia não tem sido fácil. Deborah Herold teve que se separar da família para correr atrás de seus sonhos. E o longo caminho que tem pela frente, pelo visto, também não será fácil.

Sua principal modalidade, o contrarrelógio de 500 m, está extinto das olimpíadas, assim como dos Jogos Asiáticos. Na Indonésia, ela participará das provas de sprints (individual e por equipe) e Keirin.

“Ainda preciso baixar em 1 segundo meu tempo”, admite.

Mas Deborah está confiante. Os Jogos Asiáticos serão o trampolim a próxima olimpíada, a Tóquio 2020.

Hoje, a vida de Deborah está mudada. Todos a reconhecem nas ruas em Andamão e apostam que ela será a primeira representante deste arquipélago indiano em uma olimpíada. Além disso, ela tem inspirado outras pessoas que nasceram no mesmo lugar a pedalar e a treinar ciclismo seriamente. No fundo, ela sabe que pode fazer muito mais, como uma medalha para o ciclismo indiano nos Jogos Asiáticos, algo que não acontece há 67 anos.

(via thequint.com)