É pedal, mas também é romaria

Fomos acompanhar a XXV Bike Romaria Thundercats, que sai de São Luís do Paraitinga até Aparecida. Encontramos ciclistas de todos os tipos, muita solidariedade e uma estrada de terra cheia de belas paisagens

Vale tudo: pedalar, empurrar, ajudar e se não tiver jeito, até uma caroninha nos carros de apoio de voluntários. Foto: Verônica Mambrini

O convite foi na lata: “Você precisa vir nesse pedal. Você vai ver o tiozinho da Barra Forte pedalando junto com o mountain biker com a bicicleta de 20 mil reais.” Rodrigo Mindé é caiaquista, em São Luís do Paraitinga, cidade do interior de São Paulo no vale do Paraíba. Apesar de ser do dos esportes do rio, como rafting e caiaque, ele não dispensa a bike também, treinando nas estradas lindas de uma região onde se encontram os paredões da Mantiqueira com a beleza da Serra do Mar, e convidou a Bicycling a participar de uma bike-romaria, rumo a cidade de Aparecida, destino do dia. Convite feito, convite aceito.

Barras-fortes e mountain bikes convivem na peregrinação. Foto: Verônica Mambrini

Os 63 quilômetros por estrada de terra que ligam São Luís à Aparecida são um pouquinho diferentes porque é um caminho de romaria, que termina na basílica de Nossa Senhora Aparecida. Muitos dos participantes, ao chegar, vão direto para a missa (e outros para o bar, tomar uma cervejinha para comemorar). E embora romaria pareça um costume de outra época, ela está mais viva do que nunca. No último sábado, 2 de setembro, mais de 300 ciclistas compareceram. Muitos passeando, mas muitos também agradecendo.

Terceira edição da Bike Romaria de São Luís do Paraitinga, em 1995. Foto: arquivo

“A bike romaria começou em 1992, idealizada por Luís Carlos da Silva”, conta o também ciclista Felipe Galhardo, que hoje ajuda a organizar o pedal, junto com grupos de pedal como o Bikeiros do Paraitinga, e o Thundercats, puxado por Marcus Rodrigues da Silva, cujo apelido dá nome ao grupo. “A primeira, 25 anos atrás, tinha 11 pessoas.” A cada ano, novas gerações chegam. Há famílias inteiras, com crianças pedalando junto com os pais ou num carro de apoio, e mountain bikes com ciclistas usando kits pedalam trocando ideia com ciclistas de barra forte ou outras bikes single speed, jeans, botina e chapéu de palha.

Tradição desde os anos 90, a bike romaria tem o pretexto da fé e como outras romarias, une vários grupos num clima de fraternidade

Conforme foi crescendo, o evento ganhou um apoio da prefeitura. Principalmente ambulâncias, por questões de segurança. E posso dizer que não é exagero. No meio do pedal, mais ou menos com 30km pedalados, meu parceiro teve um problema mecânico, o câmbio traseiro da bike travou e, com a queda, quebrou a clavícula. A ambulância logo veio para os primeiros socorros. Na sequência, ganhamos uma carona de Paulo Salles, comerciante de São Luís que esse ano se ofereceu no apoio, e nos levou até a Santa Casa de Misericórdia de Aparecida, para o raio-x que confirmou a fratura. “Muita gente não está em condições de pedalar naquele determinado ano, mas cumpre a promessa de outros jeitos. Pode ser até ajudando a romaria ou alguém em dificuldade”, conta Mindé. Paulo esse ano foi um de nossos anjos da guarda.

Cidades ao redor de Aparecida têm caminhos que reúnem romeiros a pé, a cavalo ou de bicicleta. Foto: Verônica Mambrini

A tradição de peregrinar ganhou toques de modernidade: a XXV Bike Romaria Thundercats tem uniforme (o logo tem a imagem de Nossa Senhora), clube no Strava e inscrições online, não obrigatórias, apenas para estimar o tamanho do evento. Se deu vontade, já dá para deixar a próxima na agenda: primeiro sábado de setembro do ano que vem. Nos dias que antecedem 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, vários grupos de romeiros a pé, a cavalo ou de bike rumam para a cidade também.

 

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