Ele construiu uma bicicleta com “motor de garapa” – e não trocaria por uma elétrica

A invenção de Anani é tremendamente econômica, e roda até 60 km com 1 litro de gasolina

Anani com sua querida bicicleta (Foto: Kísie Ainoã / campograndenews.com.br)

Nós não estamos querendo divulgar nem incentivar o uso de bicicletas motorizadas – apesar de adorarmos o potencial das bikes elétricas, principalmente nas cidades. Mas acontece que o caso do  sul-mato-grossense Anani Rodrigues Carneiro, de 55 anos, é bem inusitado. Usando uma bicicleta movida a “máquina de fazer caldo de cana” (ou “motor de garapa”), ele se locomove por Campo Grande (MS). E já foi bem mais longe com seu veículo de fabricação própria.

Anani garante que construiu sua “bike” reutilizando peças já sucateadas. O motor do moedor de cana foi acoplado na garupa, e o qual ele utiliza para poupar um pouco suas pernas do cansaço — “Para evitar a fadiga”, como diria o icônico personagem Jaiminho.

Segundo Anani, sua vasta experiência com motores industriais garante o bom funcionamento da bike. “Eu não aguento pedalar muito por causa das pernas, mas essa bicicleta me ajuda a não ficar parado”, ele disse ao site Campo Grande News.

A primeira bicicleta ele construiu em 1991. E, com sua bike de pedais impulsionada por motor de garapa, ele já rodou mais 1.400 km. Além de se locomover pela capital do Mato Grosso do Sul, Anani já foi – e voltou – até outras cidades do estado, como Três Lagoas e Anhanduí.

A bicicleta com “motor de garapa”

Sua invenção é tremendamente econômica, e roda até 60 km com 1 litro de gasolina. E ele garante que ela atinge, facilmente, 40 km/h. Durante as viagens longas, para não correr o risco de ficar sem combustível, Anani carrega um galão de gasolina no bagageiro dianteiro da bike — além de câmeras de pneu reservas.

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Por que a bicicleta

Segundo Anani, a bicicleta é o seu principal meio de transporte já que não consegue tirar carteira de habilitação por ser cego do olho direito – em 1986, ele foi atingido acidentalmente por uma pedra. “Meu sonho era ter uma moto, mas eu não passei no exame do Detran”, disse ao mesmo site. “O jeito então é andar de bicicleta.”

Anani conta também que o tempo que lhe faltou para estudar na infância sobrou para aprender com a vida – “O estudo que eu tenho foi Deus que me deu”, diz.

Acostumado a mexer em motores maiores, o “motor de garapa” ele considera “fichinha”.

E, ao ser questionado sobre se trocaria sua bike movida a “motor de garapa” por uma elétrica, Anani é enfático. “Não gosto dessas bicicletas [elétricas], elas não têm gerador de energia para carregar a bateria e são muito caras. Prefiro a minha.”