Ele perdeu 25 quilos com ajuda do ciclismo de estrada

Ao ver o L’Etape em Cunha, Felipe Molina, 30 anos, se apaixonou pelo pedal, perdeu 25 kg e completou sua prova dos sonhos

Foi no L'Etape que Felipe decidiu mudar de vida, e é a prova que marca todo ano sua evolução

Em depoimento a Verônica Mambrini

Há dois anos eu tinha chegado aos 110 kg e tinha cerca de 40% de gordura corporal. Moro em Aparecida e trabalho no atacadão de carnes da minha família. Um dia fui assistir ao L’Etape Brasil em Cunha, cidade próxima. Aquilo me inspirou, principalmente ver atletas como Marcos Ribeiro, com uma só perna, fazendo um percurso daqueles, enquanto eu estava sem fôlego para nada. Ver a prova mexeu muito comigo.

Quando era mais novo, fazia mountain bike, jogava futebol, praticava corrida de rua. O problema era que eu vivia no efeito sanfona. Perdia 20 kg com dietas loucas – já fiz várias, de todos os tipos-, depois ganhava 30 kg a mais e a situação ficava pior que antes. Mas em novembro de 2015, eu me dei conta que estava com um percentual de gordura alto, obesidade grau 2, IMC com risco cardíaco altíssimo.

Felipe Molina trocou os exageros e sedentarismo pela speed e se apaixonou pelo ciclismo de estrada

Na época, bebia umas 3 a 4 vezes na semana, muito lanche, pizzas, café da tarde reforçado: o clichê de quem está fora de forma e sem equilíbrio alimentar. Procurei uma nutricionista para melhorar minha alimentação sem fazer loucuras e comecei a praticar ciclismo de estrada. No começo, mal conseguia andar 10km. Para ajudar na adaptação, comprei um rolo de treino e fazia 15 a 20 min todos os dias, até conseguir andar bem na rua. O começo foi o mais difícil. Quando você está tão acima do peso como eu estava, ninguém bota fé, tiram sarro das roupas justas. Você tem que ter muita raça e se aproximar de quem te incentiva.

Assim que fiquei um pouco mais confiante, fiz a inscrição para o L’Etape de 2016. Eu não tinha a real dimensão da dificuldade da prova. Até chorei quando fui para Cunha fazer o primeiro treino de reconhecimento, em que a minha ideia era fazer só metade do trajeto. Demorei quase 2 horas pra fazer os primeiros 12 km. Mas nunca pensei em desistir, sempre me motivei para melhorar com meus erros e me apegava à evolução que eu estava conseguindo.

Ano passado, fiz a prova em 7 horas e 36 minutos. Esse ano, já baixei meu tempo para 5 horas e 11 minutos. A primeira vez foi inesquecível: mesmo tendo quase desmaiado, foi fantástico ter chegado no meu limite extremo, ter resistido e terminado. Esse ano já terminei bem e inteiro – a sensação é muito boa também, de ver que a gente não tem limite pra evoluir.

No começo, ele comprou um rolo de treino e fazia 15 a 20 minutos diários para se preparar para pedalar bem na rua

Para mim, foi essencial ter ajuda de uma assessoria esportiva.Depois de 6 meses engrenado na bike, procurei a MC, assessoria de Lorena, e a evolução foi mais visível ainda. Muitos não gostam de treinos planilhados, mas para mim foi o que fez a diferença. Como somos amadores e temos pouco tempo para treinar, quanto mais eficientes são os treinos melhor a evolução. E mudei para um nutricionista esportivo, campeão de ciclismo de estrada, que me ajudou a ajustar a dieta com mais carboidratos – eles estavam fazendo falta nos treinos mais pesados. Com ajuda dele, meu rendimento voltou e baixei o percentual de gordura para menos de 15%, com exames muito saudáveis e estilo de vida regrado, além de estar cada dia mais apaixonado por este esporte.

Mas o maior ganho é o velho clichê esportivo: depois que você muda de estilo de vida, fica com muito mais disposição para tudo, até para acordar às 5 da manhã para treinar. Nem falta de tempo é desculpa, pois hoje com dois filhos faço muito mais do que quando tinha só 1, ou nem tinha filhos.

Ainda quero perder mais uns 5 kg e chegar aos 80 kg e melhorar mais ainda para o L’ Etape do ano que vem. Minha disposição para família é outra, e até com o trabalho eu fico muito menos estressado. Sem falar nas amizades: é muito bacana a interação social que a bike traz, e isso nos motiva ainda mais. Quero me manter nessa rotina o resto da vida, pois a qualidade de vida que a bicicleta me trouxe é algo que eu jamais pensei que teria.

O principal é que não existe milagre, em qualquer esporte ou na vida mesmo. Tem que ter muita disciplina e paciência. Mudar um estilo de vida de anos não é do dia pra noite, mas quando você olha para trás, vê que todo esforço tem sua recompensa. Senão, nós ciclistas seríamos considerados masoquistas demais, né? Não é só sofrimento, tem muita diversão também!”

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