Bike elétrica: o guia definitivo

Se você quer ter uma bike elétrica, veja estas MTB’s e urbanas vendidas no Brasil

Specialized Turbo Levo, uma das MTB's elétricas que estão deixando as subidas mais amenas (Foto: Divulgação)

Por Bruno Romano

VOCÊ VAI OUVIR (e também falar) cada vez mais o termo “e-bike”. Sim, as bikes elétricas chegaram mesmo para ficar. Se você já pedala, isso não quer dizer que precisa abandonar sua bicicleta, muito menos declarar guerra contra os motores movidos a bateria recarregável. E, se por algum motivo, está longe do ciclismo, esta pode ser a porta de entrada que estava procurando.

A consultoria Navigant Research decidiu testar esse conceito em números e chegou à conclusão de que 38 milhões de e-bikes serão vendidas no planeta até 2020 – a expectativa maior prevista é na América Latina, em um mercado no qua projeta-se um crescimento de 14 % do montante global. Não é de se estranhar que marcas exclusivas de elétricas tenham se estabelecido no Brasil nos últimos anos. Mais recentemente, as principais montadoras nacionais, ao lado das grandes grifes estrangeiras, também estão apostando uma boa quantidade de fichas nesses modelos.

O engenheiro Bruno Affonso pedala diariamente bikes do tipo há dez anos, em uma onda que começou a curtir morando na China. No ano de 2010, ele botou para funcionar no Rio de Janeiro a Lev, empresa especializada em e-bikes que tem como diferencial um sistema elétrico totalmente integrado, o que inclui “detalhes” como trava e até alarme. “Não me surpreendeu o boom recente das e-bikes no país. Eu já visualizava que seria algo natural, pois o público é muito mais amplo até do que quem já está ligado à bicicleta”, diz Bruno.




Levantando uma bandeira comum na cena, a do uso das e-bikes como alternativa ágil e de baixo impacto de transporte, a Lev tem atualmente uma equipe de mais de 50 funcionários (20 deles mecânicos), e registrou fechamento de 2017 com crescimento de 60%, além do projeto de abertura de mais cinco novas lojas para 2018. Embarcar nesse novo universo, potencializando experiências pessoais, tem sido recorrente nas grandes cidades do Brasil. Lucas Vitale, gerente comercial da Vela, por exemplo, defende que esse é um “caminho sem volta”.

Há sete anos pedalando na capital paulista, ele largou o trabalho de publicitário em uma agência e produtora para focar nas e-bikes. “Essa necessidade de se locomover de forma mais eficiente é uma realidade em várias cidades do país”, observa Lucas. Na Vela, além de dois modelos padrões, o Vela 1 e Vela S, é possível personificar a bike, começando pela escolha da geometria do quadro (feito em cromo), seguido de um bike fit e um canote de selim sob medida, além de acessórios opcionais. “A gente atende desde o adolescente que vai sozinho para o colégio até uma senhora que acabou de vender o carro e está comprando uma nova bike”, relata Lucas.

É nessa toada que o ano de 2018 deve marcar mesmo a revolução do mercado por aqui. Diversas empresas nacionais entraram de vez no barco, caso da Caloi, que apresentou oficialmente no fim de 2017 seu novo modelo de e-bike, a e E-Vibe City Tour, com diversas unidades já vendidas sob encomenda. Segundo executivos da marca, um dos grandes impulsos que permitiram esse movimento vem da parceria com a Shimano, empresa reconhecida no meio das bikes regulares que já consolidou no exterior seus novos componentes específicos para e-bikes. “Os benefícios dessa tecnologia estarão acessíveis cada dia mais aos amantes da bike”, diz Rogério Tancredi, gerente comercial e de marketing da Shimano na América Latina.

Na prática, as e-bikes têm mesmo quebrado barreiras. “A verdade é que muita gente que entortava o nariz experimentou, e hoje tem uma bike elétrica”, conta Lucas. “No começo, eu via bastante preconceito nas próprias lojas de bike, e logo percebi que o melhor caminho era mesmo separar locais próprios de venda e assistência pós-venda”, lembra Bruno. “Pela falta de conhecimento, antes também era mais fácil ligar e-bikes à ideia de ‘preguiça’, mas as elétricas estão se mostrando extremamente úteis e agregadoras”, acrescenta o fundador da Lev.




É por isso que casos como o de Nova York (EUA), que reforçou o efetivo em cima da proibição de e-bikes no fim de 2017, parece mesmo fora da curva. Atualmente, quem for pego lá com uma bicicleta do tipo nas ruas pode receber multa de até US$ 500. Para o ativista norte-americano Alex Logemann, do grupo People For Bikes, a tendência mundial vai na contramão: integrar as e-bikes às leis de transporte já existentes – em todo o território brasileiro, modelos de e-bikes que atendem à legislação vigente são permitidos.

“Eu estranharia se outra cidade com a influência de Nova York tomasse esse rumo”, diz Alex, que tem ajudado prefeituras e estados dos EUA a redigirem regras específicas para e-bikes. “Simplesmente não vejo sentido nessa política nova-iorquina em longo prazo: a intenção é reforçar o policiamento e as varreduras cada vez mais? Não acho que seja possível simplesmente sumir com as elétricas.”

No outro lado da mesma moeda, o das bicicletas usadas em trilhas e ambientes naturais em geral, outra luta tem sido travada. “Não é trapaça. É apenas mais diversão”, estampa um anúncio recente de um novo modelo de e-MTB (ou mountain bike elétrica) feito por uma grande marca internacional. A barreira contra as e-MTB, aos poucos, também tem caído. Empresas como a Specialized e a Trek, por exemplo, colocam em destaque seus modelos eletrônicos para 2018 no Brasil – focados em diversão, para quem quer curtir trilhas “for fun”.




Enquanto se discute o “purismo” e a “inovação”, o real adversário das companhias no Brasil são os altíssimos impostos. Não bastasse o custo elevado já estabelecido para bikes regulares, as e-bikes se enquadram como veículos elétricos e possuem uma carga tributária média que alcança a marca de 60% em cima do valor original – mesmo em produtos que não são 100% importados, grande parte das peças, sobretudo baterias, motores e sistemas eletrônicos, ainda vem de fora.

No meio dos extremos, das críticas, dos encantos e das descobertas, há um nicho com enorme potencial para crescer. Sobretudo pelo rotineiro caos no transporte urbano, que só aumenta junto das expectativas de melhoras. As e-bikes, aliás, já nasceram como parte da solução.

Veja a seguir bikes elétricas (MTB’s e urbanas) encontradas no Brasil.

MOUNTAIN BIKES


Trek Powerfly 5FS
R$ 30.000
Quando os eletrônicos entram em cena, a tecnologia de bikes parece avançar ainda mais rápido. É o caso da linha Powerfly da Trek, que já ganhou melhoras e upgrades consideráveis mesmo com um curto tempo de vida – a destacar, todo o sistema integrado movido à bateria e as funções renovadas de assistência ao pedal. A estrutura do quadro em alumínio para abrigar a parte elétrica chama atenção. Veja como a introdução do potente motor da Bosch no tubo inferior é suave, em uma geometria que leva isso em consideração ao mirar no caminho da performance. O torque produzido pelo motor (e controlado pelo sistema Purion, também da Bosch) responde muito bem, e ainda conta com display digital.

Recentemente, a Trek reparou que muitos dos usuários usavam a troca de funções de pedal assistido em vez das próprias marchas, por isso a companhia desenvolveu uma nova possibilidade: a Emtb, que poderá ser acionada nos modelos mais novos da linha. A ideia é sentir mais a trilha, dar suporte preciso e, supostamente, encorajar trocas mais frequentes de marcha. Na versão 2017, as funções são Eco, Tour, Turbo e Sport (esta última substituída pela Emtb no modelo 2018).

Além dos componentes top da Bontrager (marca da Trek), a Powerfly 5 FS vem com conjunto de suspensão dianteira/traseira RockShox Recon RL (a ar e com trava remota) e RockShox Deluxe RL. A transmissão é Shimano Deore M6000 de dez velocidades, e os freios a disco hidráulico são Shimano M315. trekbikes.com.br



Specialized Turbo Levo FSR Comp Carbon 6Fattie/29
R$ 50.000
Criar uma e-mtb com boa relação peso, controle e eficiência não é tarefa fácil. Mas a Specialized arregaçou as mangas e começou com a construção de um quadro em chassi de fibra de carbono (FACT 11m) e traseira de alumínio (Premium M5). A intenção foi torná-lo leve, rígido e com boas respostas ao mesmo tempo.

Cada detalhe conta a favor dessa proposta, como o roteamento interno dos cabos e a bateria totalmente integrada ao tudo inferior – o que facilita a remoção e a recarga. A bateria dá energia ao motor Turbo 1.3, com tecnologia exclusiva da marca, a Rx Trail Tune. Na prática, um modelo eficaz, suave e silencioso. O sistema foi “equilibrado” na construção da e-bike para garantir boa pilotagem.

Outro diferencial do motor é o acionamento automático, com potência e torque sob medida para cada esforço. Tudo pode ser monitorado em tempo real no aplicativo chamado Mission Control (um sistema de display integrado que inclui a possibilidade de trocar de modo de pedal assistido sem tirar as mãos do guidão). O medidor de potência também calcula a relação de força humana e do motor, trazendo um comparativo sempre atualizado.

O modelo vem equipado com suspensão RockShox Revelation RC (150 mm de curso), transmissão SRAM GX (coroa única) e freios SRAM Guide RE e. Detalhe para as rodas 6Fattie, voltadas para um bom ajuste fino entre tração e rolagem. O desenho da bike ainda possibilita a troca para rodas 29er. specialized.com.br




General Wings 3 TOROS
A partir de R$ 14.500
Mountain bikes 29er com pedal assistido já são uma realidade no Brasil, como comprova esta 3 Toros, um verdadeiro xodó da marca nacional General Wings, presente no país desde 2009. O posicionamento do motor elétrico conectado ao movimento central da bike visa desempenho e estabilidade – sua potência varia dos 350 watts (permitido para circular nas ruas brasileiras) até 750 watts (para uso outdoor). O conjunto se completa com bateria de lítio de 48V com autonomia entre 40 e 80 km, dependendo do uso e das condições de terreno, além de componentes de qualidade, caso da transmissão Shimano Deore de 10 velocidades e suspensão Proshock Onix Dark. generalwings.com.br

URBANAS


Sense Easy R$

4.990
Elétrica e dobrável, a Easy da Sense é uma mão na roda para quem busca praticidade no transporte diário de curta a média distância na cidade. Com rodas aro 20 e acessórios que visam segurança e praticidade, é movimentada a pedal assistido por uma bateria de lítio e motor de 250 watts – tudo comandado por um display de LCD bastante intuitivo. sensebike.com.br


Lev E-Bike
L
R$ 5.590
Para saídas com um mix de bom asfalto e/ou ciclovias com trechos irregulares, a e-bike L da Lev aposta em quadro de alumínio, aro 24 e câmbio Shimano de sete velocidades. Sua bateria de lítio (com autonomia de cerca de 35 km e recarga total entre 4 a 5 horas) junto de seu motor elétrico de 250 watts jogam a favor da proposta de acelerar com estilo. Traz adicionais como alarme, tranca automática da roda traseira e faróis de LED. Sediada no Rio de Janeiro e em expansão para São Paulo e Miami (EUA), a marca oferece serviço de assistência técnica especializada em lojas físicas e até em domicílio golev.com.br



Vela S
R$ 3.990
Novidade da nacional Vela, a “S” é uma versão mais clean da sua antecessora, a Vela 1, ainda comercializada pela marca. Enquanto a 1 possui uma boa gama de acessórios, a S prioriza mais o pedal em si (está 4 kg mais leve e seu quadro de 55 cm vem agora com rodas 700). O motor elétrico garante os 25 km/h máximos permitidos com pedal assistido no Brasil e permite regulagens, o que pode representar ganhos consideráveis na autonomia mínima de 30 km para uma recarga (desligada ela também funciona como uma bike regular). Ao alinhar design e praticidade, a Vela permite a criação de modelos personalizados, multiplicando as possibilidades. A marca oferece também bike fit e produção de canote de selim personalizado na compra de um modelo. velabikes.com.br




Pedalla e-Utile
R$ 7.090
A Pedalla foi lançada recentemente pela EBMS (Empresa Brasileira de Mobilidade Sustentável), que já apostou logo de cara em cinco modelos para uso urbano, misto e mountain bike (no caso, uma fat bike eletrônica). Uma das mais versáteis da linha é esta e-Utile, voltada para locomoção urbana visando agilidade e conforto. Baseada em São Bernardo do Campo (SP), a EBMS lançou junto das e-bikes uma oficina itinerante (o projeto Van Oficina Escola), priorizando a formação específica de mecânicos ligados à Pedalla. Em um futuro próximo, a ideia é expandir para profissionais interessados em e-bikes. pedallabikes.com.br




Caloi E-Vibe City Tour
R$ 8.000

Primeira e-bike da história da Caloi, a E-Vibe City Tour comprova a chegada de grandes marcas do ciclismo nacional no mundo das elétricas. Com lançamento no fim de 2017 e chegada oficial às lojas em 2018, a bicicleta é construída em alumínio, com a resistente liga 6061, e traz motor elétrico Shimano E6002, que garante potência de 250 watts. Em estilo urbano híbrido, traz componentes bem equilibrados: transmissão Shimano Acera (nove velocidades), suspensão RockShox Paragon, freios a disco hidráulicos Shimano M396 e pneus Continental Contact (700×42). caloi.com.br




EDG Niobium Preço
Preço sob consulta

Com lançamento previsto para 2018, a Niobium estreita os laços das tecnologias usadas em carros elétricos de alta performance. Suas escolhas chamam atenção, a exemplo do uso do nióbio adicionado ao aço para construção do quadro. O motor elétrico, de fabricação própria da marca no Brasil, disponibiliza até 700 watts de potência – quer dizer que, fora do perímetro urbano e de áreas públicas, pode-se alcançar até 50 km/h em pedal assistido. Há quatro funções de condução: Off (sem auxílio), Fit (que garante autonomia de até 100 km), Power (com os 350 watts permitidos por lei) e EVT (que leva à potência máxima). Todo o sistema eletrônico é distribuído nesse desenho de quadro futurista, em um conjunto que conta ainda com frenagem automática e sistema de freio regenerativo, aproveitando o movimento para retornar energia à bateria. Para fechar, rodas aro 700 e um prometido peso-pena para a categoria: 15 kg. edg.bike