Guia de sobrevivência para pedalar no ar seco

Foto: Shutterstock

Por Verônica Mambrini

Quando o ar está muito seco, fica até difícil manter os treinos e os deslocamentos de bike pela cidade. É considerado estado de atenção quando a umidade relativa do ar está entre 20% e 30%, exigindo alguns cuidados para evitar a desidratação e mal estar, principalmente para quem pratica atividades físicas.

Em grandes cidades, um agravante que baixa a qualidade do ar é a poluição. Durante a atividade física, a pessoa inala mais ar para dentro dos pulmões do que quando está em repouso. Se a qualidade do ar é ruim, você pode inalar uma quantidade maior de poluentes prejudiciais. Além disso, durante o exercício, existe uma tendência maior de respirar pela boca, em vez do nariz, que funciona como um filtro natural de partículas. Ou seja, a respirar pela boca, você pode acabar permitindo que partículas menores atinjam os pulmões mais profundamente.

Para continuar pedalando tranquilo por aí (e sem sofrer tanto!), veja algumas dicas da equipe do Projeto Pedal, iniciativa do Instituto do Coração de São Paulo:

Fuja do trânsito pesado

Quando sair de bike, seja para treinar ou em um deslocamento urbano, escolha a rota evitando avenidas muito movimentadas e pouco arborizadas. Preferir parques e áreas verdes também ajuda, já que a vegetação age como um filtro natural do ar. Quando isso não for possível, ruas menores e paralelas costumam ser melhores escolhas de trajeto. Quanto mais longe do tráfego pesado, menor a concentração de poluentes.

Evite se posicionar próximo do escape de veículos, como carros, motocicletas e caminhões, para evitar os altos níveis de poluentes que podem ser prejudiciais à saúde. Isso inclui usar o bike box quando ele existir e evitar esperar o sinal abrir atrás dos carros, porque a quantidade de emissões de poluentes é maior ali. Planejar seu treino ou seus deslocamentos para fora dos horários de pico também faz diferença.

Pedale em espaços abertos

Ruas com prédios altos em ambos os lados, que formam “corredores” de concreto, tendem a aprisionar a poluição. Esse tipo de rua normalmente apresenta baixa qualidade do ar e, se possível, deve ser evitada durante o pedal.

Confira o índice de qualidade do ar

A qualidade do ar muda também em função do horário. É possível pesquisar a previsão para tentar evitar os piores momentos do dia. Esses dados podem ser encontrados em agências como a Cetesb, em São Paulo, que possuem estações de monitoramento de níveis de diferentes poluentes.

Evite usar carro

Se você não quer sofrer com o problema, pode contribuir evitando fazer parte dele. Sempre que possível, utilize opções de deslocamento menos poluentes, como ir a pé, de bicicleta ou usando transporte coletivo.

Cuide da qualidade do ar de ambientes internos

Dentro de casa ou no trabalho, é possível não agravar o problema reduzindo poluentes como fumaça de tabaco ou produtos de limpeza muito fortes, que deixem resíduos químicos no ar, e mantendo os ambientes limpos e livres de pó. Em lugares com ar condicionado, é preciso verificar se os filtros são limpos com frequência, e ficar atento porque esse tipo de aparelho reduz a umidade do ar. Umidificadores de ar são um bom recurso, com o cuidado de usar água limpa.

Hidratação

Nos dias secos, a hidratação é ainda mais importante. Não espere ter sede para tomar água e outros líquidos. Frutas, verduras e legumes com alto teor de água também contribuem para a hidratação, além de conterem fibras, vitaminas e agentes antioxidantes que ajudam preservar sua saúde. Se sentir desconforto nas vias aeréas, use soro fisiológico para lavá-las.

Máscara com filtro

É tentador adotar essa saída, mas os médicos alertam para os riscos. Se por um lado as máscaras com filtro para material particulado fino e para gases reduzem de fato a inalação de poluentes, seu uso diário e por longos períodos dificulta a respiração durante o exercício. Além disso, quanto maior a exposição a poluentes, com mais frequência o filtro deve ser trocado. Na prática, ela só é recomendada em casos muito específicos, como algumas condições médicas ou situações de níveis de poluição arriscados.

– Com informações do Projeto Pedal, do Instituto do Coração

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