Juízes suecos: o bom exemplo que vem de bicicleta

“Não posso compreender um ser humano que tenta obter privilégios com o dinheiro público”, disse o juiz sueco Göran Lambertz

(Foto: Getty Images)

Nesta semana, uma matéria assinada pela jornalista Claudia Wallin para a BBC chamou atenção para a simplicidade e franqueza dos juízes suecos. Claudia começou relembrando o caso de Göran Lambertz.

Hoje Göran está aposentado. Mas, até há alguns anos, desfrutando do ápice de sua carreira de juiz, ele pedalava todos os dias de sua casa até a estação de trem de Uppsala. Ele levava cerca de 15 minutos de bicicleta no trajeto. Então pegava um trem até Estocolmo e, da capital da Suécia, ele seguia a pé até a Corte Suprema.

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Göran nunca teve carro oficial, tampouco motorista. Secretária particular? Também não. Na Suécia, a vida dos juízes parece ser bem mais simples.

Na mesma reportagem, a jornalista relata como a casa de Göran é modesta. Em um pequeno jardim, na frente, ficam as bicicletas. Ele não tem empregados, e ele mesmo é quem faz seu café da manhã e prepara suas refeições.

Göram também fez questão de lembrar que “não almoça à custa do dinheiro do contribuinte”.

Göran Lambertz: “Não almoço à custa do dinheiro do contribuinte”

Outro juiz sueco, Carsten Helland, afirmou que “juízes não podem agir em nome dos próprios interesses, com ganância e egoísmo, e ao mesmo tempo esperar que os cidadãos obedeçam as leis”.

Enquanto isso, no Brasil…

Recentemente, o presidente Michel Temer aprovou o reajuste nos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da procuradora-geral da República. Foi um aumento de R$ 33 mil para R$ 39 mil.

Em comparação, na Suécia um juiz ganha o equivalente a cerca de R$ 25 mil. Benefícios extra-salariais que são oferecidos para juízes de todas as instâncias no Brasil não existem para juízes suecos em nenhuma instância.

Juízes suecos: questão de bom senso

Göran acrescenta: “Não consigo entender por que um ser humano gostaria de ter tais privilégios. Só vivemos uma vez e, portanto, penso que a vida deve ser vivida com bons padrões éticos. Não posso compreender um ser humano que tenta obter privilégios com o dinheiro público.”

Um juiz que realmente sabe fazer justiça! Será que ele teve essa sacada de lucidez durante algum de seus pedais até a estação ferroviária?

Leia a matéria de Claudia Wallin na íntegra clicando AQUI.