Ciclista campeã olímpica fica paraplégica, mas não desiste do esporte

Kristina Vogel, 27, sofreu um acidente em junho, enquanto treinava em um velódromo

Kristina Vogel ao conquistar seu primeiro ouro olímpico, em Londres, em 2012 (Foto: via Facebook)

“Meus braços agora também são minhas pernas”, diz Kristina Vogel.

Bicampeã olímpica e 11 vezes campeã mundial do ciclismo de pista, a alemã Kristina Vogel revelou recentemente ao jornal alemão Der Spiegel que o acidente que sofrera em junho deste ano a deixara paralisada da cintura para baixo.

“É uma situação péssima, mas o que posso fazer”, revelou Kristina. Esta foi a sua primeira declaração desde o dia do acidente, em 26 de junho.

“Eu acredito sempre que, quanto mais cedo a gente aceita algo, melhor podemos lidar com a situação.”

Kristina, que foi medalha de ouro na olimpíada Rio 2016, sofreu uma colisão enquanto treinava em Cottbus, na Alemanha. Ela lesionou a coluna e foi levada para Berlim para uma cirurgia de emergência.

Mas durante todo esse tempo, a atleta e sua família se recusaram a falar publicamente sobre seu estado de saúde.

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“Eu não queria que as pessoas me vissem com aqueles ferimentos”, revelou ela ao Der Spiegel.

Kristina, que sempre foi reconhecida pelas pernas musculosas, disse também que nas primeiras imagens de raio-x sua coluna parecia uma mesa dobrável da Ikea.

Largar a bicicleta, nem pensar

Amigos e colegas do ciclismo lançaram então a campanha #satystrongkristina, para ajudar Vogel nesse processo de recuperação.

“Tenho sorte por ainda estar viva e ter meus braços totalmente funcionais. Por pouco não fico paralisada do pescoço para baixo.”

A atleta admitiu que ainda é cedo demais para se pensar em um futuro como atleta paralímpica, mas sentiu que já era o momento de começar a falar publicamente sobre o que aconteceu. “Aqui estou. E estou bem! E ainda sou a mesma garota doida que vocês conhecem.”

Kristina Vogel quer ser ainda mais uma motivação para outras pessoas.

“Não importa o que o destino reserva a você, a vida continua. No meu caso, agora em quatro rodas, ao invés de duas. Meus braços agora também são minhas pernas”, concluiu otimista.