Mergulhador que morreu durante o resgate dos meninos em caverna era um ciclista ávido

Saman Kunan era voluntário na ação de resgate na caverna na Tailândia, e deu a própria vida para ajudar aquelas crianças e seu técnico

Saman cycling
Saman, em um dia que poderia ser chamado de Sagan (Foto via Facebook)

Hoje, depois de três dias de trabalhos intensos, terminou o resgate dos 12 meninos e o treinador que estavam presos na caverna Tham Luang, no norte da Tailândia. Infelizmente, a operação inteira teve uma baixa: o mergulhador tailandês, atleta multiesportes e ávido ciclista, Saman Kunan, que morreu tragicamente ao retornar depois de ter levado oxigênio e suprimentos aos garotos e seu técnico que estavam presos no interior da caverna, na última sexta-feira.

Aos 38 anos, Saman era um militar de elite da Marinha Tailandesa. Ele foi pego de surpresa por uma enchente e sucumbiu por falta de oxigênio. Seu parceiro de mergulho encontrou-o inconsciente e tentou ressuscitá-lo, mas não teve sucesso. O corpo de Kunan foi levado a sua província natal Roi Et, onde ele teve um funeral patrocinado pela realeza.

Mergulhador amante dos esportes e do ciclismo

Felizão entre os quadros de bike

Saman era um amante dos esportes, e já participou de diversas competições de corrida de aventura (pela equipe The North Face Adventure) e ciclismo (incluindo o mountain bike, um esporte que ele dominava e praticava).

Ao site G1, os atletas brasileiros de corrida de aventura Guilherme Pahl e Camila Nicolau (que já competiram ao lado Saman) revelaram que “Saman era um cara que realmente pensava no próximo”, com um espírito altruísta raro de ser ver por aí. Por isso sua morte causou tanta tristeza, gerando sentimentos sinceros em atletas e pessoas que acompanhavam este caso no mundo inteiro.

E até uma página no Facebook foi criada em sua homenagem.

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Funeral de Saman, na Tailândia, com fotos do esporte que ele tanto amava

O caso

Explorando um sistema de cavernas depois jogarem futebol, os garotos vagaram pela caverna de Tham Luang antes de serem presos por uma inundação repentina.

A operação exigiu cuidados especiais para tirarem os garotos e o técnico de um local profundo com passagens estreitas e a água com baixíssima visibilidade.

Os mergulhadores colocaram máscaras de oxigênio facial nessas crianças antes de encarar o percurso de volta de 4 km, que durou cerca de 6 horas para ser completado.

Noventa mergulhadores – tailandeses e de outras nacionalidades –participaram do resgate, que ao todo envolveu mais de mil pessoas e teve uma imensa repercussão mundial, inclusive entre atletas da Copa do Mundo de Futebol, que ainda está rolando na Rússia.

Saman foi a única vítima fatal dessas operações. Seu gesto de bravura, coragem e, principalmente, sua vontade de ajudar o próximo, serão lembrados para sempre.