Mulher no pódio, só se for  ciclista

Volta e Tour sem as "podium girls" em 2018 – agora só falta o Giro aderir ao bom senso

COISA DO PASSADO: O italiano Vincenzo Nibali cercado das podium girls no Tour de France de 2014

O TOUR DE FRANCE 2018 está marcado para começar no dia 7 de julho, e, ao que tudo indica, as únicas roupas coladas a desfilarem no evento serão os trajes dos ciclistas. Os organizadores da mais tradicional competição de bicicleta do mundo anunciaram na última semana que pretendem acabar com as “garotas do pódio”.

Esta antiga tradição consiste em mulheres sorridentes que sobem até o pódio no momento da premiação para beijarem as bochechas do campeão da etapa ou da corrida.

As “podium girls” tinham virado uma espécie de evento indissociável das Grandes Voltas. Só que, em 2016, competições menores como a australiana Tour Down Under, já haviam trocado a participação das garotas pela de competidores juniores. A Copa do Mundo de Cyclocross já recorre a jovens fãs para ajudarem na hora da premiação, e até competições de automobilismo já estão repensando a participação das mulheres em seus eventos.

No ciclismo, no ano passado a Vuelta a España foi a primeira das Grandes Voltas a quebrar esta tradição sexista, que não tem mais como se justificar em uma época de luta pela igualdade de gêneros.

Em seu blog, a mountain biker profissional  norte-americana Amanda Batty referiu-se às meninas do pódio como “marcadores de lugares sexuais”, cujo trabalho depende unicamente da “ideia de que apenas homens heterossexuais participam e gastam dinheiro dentro desse esporte”.

Só falta agora o Giro d’Italia anunciar o mesmo e ajudar a promover esta mudança positiva.

Quem não se lembra do eslovaco Peter Sagan apalpando a bunda de uma podium girl durante o Tour de Flandres de 2013, enquanto ela beijava Fabian Cancellara no alto do pódio? Sagan se desculpou logo em seguida, dizendo que sua intenção não era desrespeitar uma mulher. Mesmo assim, pegou mal pro ciclismo em geral.

Portanto, bem-vindo aos novos tempos, em que o esporte não deve ser palco de comportamentos patrocinados por uma sociedade historicamente machista.