Mulher pedala a 296 km/h para quebrar um recorde mundial

Denise Mueller–Korenek é agora a ciclista mais rápida do mundo – entre homens e mulheres

Denise a mais de 160 km/h no vácuo do carro dragster (Foto: Matt Ben Stone)

No último domingo, enquanto você passeava de bicicleta no parque, a norte-americana Denise Mueller-Kprenek pedalava a 296 km/h. Isso mesmo, para ser mais preciso, mais rápido do que a velocidade de decolagem de um Airbus. E assim ela bateu o recorde mundial de ciclismo no vácuo (motor-paced bicycle land speed record).

No deserto de sal Bonneville Salt Flats, em Utah (EUA), Denise largou rebocada por um carro dragster, que acelerou a cerca de 160 km/h, velocidade necessária para que ela começasse a girar os pedais por conta própria. Então ela se livrou do reboque e ficou pedalando no vácuo.

O feito todo aconteceu em uma distância de cerca de 8 km. Denise, uma ex-ciclista profissional californiana de 45 anos que já foi campeã nacional, contou com a ajuda efetiva da amiga Shea Holbrook, que pilotou o carro dragster que ia à frente. Elas já detinham o Rocorde Mundial do Guinness pela maior velocidade no motor-paced entre as mulheres – 237 km/h, uma marca conseguida em 2016.

“É como uma dança”, disse Denise. “Fico me ajustando constantemente por trás da carenagem do veículo, flutuando para frente e para trás, enquanto Shea acelera e desacelera para não me derrubar e ajudar a me manter na cola. Ela tem que achar o meu ritmo.”

É também um pouco como uma dança cega. “Imagine estar na caçamba de um caminhão sem janelas”, comparou. “É tudo branco, sem pontos de referência, como carros ou postes passando ao seu lado. Você ouve o motor dando a partida e então acelerando, e sente que está indo rápido”, descreve a norte-americana que bateu o recorde mundial de velocidade no ciclismo motor-paced.

Um recorde mundial para poucos

Denise, no centro, com o técnico John Howard e a piloto Shea Holbrook. (Foto: Matt Ben Stone)

Mas não é uma dança para quem tem problemas de coração. Desde que foi criado, em 1899, o ciclismo motor-paced já deixou muita gente ferida. A modalidade passou a ser encarada em outro nível desde 1930, quando ciclistas passaram a andar atrás de carros de corrida equipados com carenagens para cortar a ação do vento.

No fim de 2017, o brasileiro Evandro Portela também bateu um recorde mundial do ciclismo motor-paced, atingindo 202 km/h com equipamentos tradicionais do ciclismo de estrada.

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Denise usou uma bicicleta da marca KHS em seu último feito. Mas era uma bicicleta especial, aro 17, rebaixada e com mais de dois metros de comprimento. O sistema de engrenagem também era diferentão, com duas coroas, para permitir que ela atingisse uma maior velocidade. Além disso, ela vestiu macacão que a deixou parecida com um piloto da motovelocidade.

Segundo o treinador de Denise, John Howard, de 70 anos, não é uma surpresa que esta marca tenha sido estabelecida por uma mulher. Ele garante que mulheres conseguem se manter atléticas por mais tempo. E deu como exemplo o próprio caso de Denise, que se afastou do ciclismo por 23 anos, teve três filhos e hoje se encontra na melhor forma de sua vida, aos 45 anos de idade.

Prova disso é que ela pedalou quase 30 km/h mais rápido do que alguém já tinha conseguido ir com uma bicicleta – por mais que esta seja uma bicicleta especialmente desenvolvida para este feito e que a ideia dessa modalidade é cortar a ação do vento.