O ciclista cego dos Himalaias: “Não há limites”

O indiano Divyanshu Ganatra tem um objetivo: derrubar as barreiras que ainda impedem pessoas com alguma deficiência de desfrutar o mundo 

Divyanshu Ganatra, à direita na foto: "Não há nada que eu não possa fazer" (Foto: Divyanshu Ganatra via Facebook)

Divyanshu Ganatra, o ciclista cego dos Himalaias, vive no oeste de Pune, na Índia. Ele perdeu a visão quando tinha 19 anos, por causa de um glaucoma.

Sua vida mudou para sempre – algo que ele já imaginava. “Minha família sempre acreditou em mim e se manteve firme”, diz ele em um vídeo produzido pela BBC (clique AQUI para assistir).

Foi só o começo de uma jornada de descobertas, aceitação e ajuda ao próximo. Sim, Divyanshu não pensou só nele, e decidiu encurtar as distâncias que separam as pessoas com alguma deficiência e pessoas sem nenhuma privação.

As próprias experiências fizeram com que Divyanshu percebesse o quanto pessoas com deficiência são invisíveis. “Elas estão ao seu redor, mas você nunca as vê”, diz. “Você não as encontra em lugares públicos, em locais de trabalho, no cinema.

E somos milhões. Mas estamos escondidos, invisíveis”, acredita.

Em 2014, Divyanshu iniciou uma campanha de caridade para ajudar pessoas com deficiência na Índia.

Ele criou a Adventures Beyond Barriers, uma organização sem fins lucrativos que trabalha pela inclusão através dos esportes outdoor. Sua intenção foi criar uma empatia entre os dois grupos, o de pessoas com e o de pessoas sem deficiência. E não há maneira melhor de fazer isso do que com esportes de aventura, ele acredita.

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O ciclista cego do Himalaia

Todo ano, Divyanshu organiza uma expedição de bicicleta de 500 km pelos Himalaias para pessoas com deficiência.

Em sua quarta vez nesse evento que criou, ele esteve ao lado de quatro pessoas cegas, guiadas em bicicletas tandem por outros ciclistas que enxergam. Além disso, tinham pessoas com outras deficiências, como alguma amputação — que muitas vezes pedalam sozinhas. E outras tantas, claro, sem nenhuma.

Todos estavam lá com o mesmo objetivo, o de compartilhar momentos quase que sagrados.

Divyanshu não vê a cegueira como uma barreira.

“Eu não quero enxergar novamente”, diz convicto. “Porque o que seria isso que eu não possa fazer como uma pessoa cega, que eu poderei fazer enxergando. Eu não tenho resposta para isso”, conclui Divyanshu, que também já voou de parapente.

O vídeo a seguir mostra a história de Manasvi Baheti, que nasceu cega e em 2017 completou a travessia de 500 km pelos Himalaias.