O guia da pizza para ciclistas

Elas são deliciosas e podem ser uma ótima fonte de energia; basta escolher o melhor tipo e o momento certo para devorá-las

PIZZA E CICLISMO COMBINAM tão bem quanto, hum…, vejamos, pizza e cerveja! Bom, é verdade que as redondas ainda têm uma má reputação quando se pensa em “combustível saudável”, mas isso se deve às grandes redes de restaurantes que fazem alimentos gordurosos e à seção de congelados dos mercados, onde elas surgem banhadas em gorduras saturadas. Por outro lado, renegar esse tipo de comida e considerá-lo fonte de energia de terceira categoria seria uma generalização desproporcional.

Conversamos com especialistas em nutrição na esperança de entender e explicar nosso amor eterno por essas massas redondas, maravilhosas e cheias de queijo. Descobrimos que a pizza pode ser sinônimo de energia efetiva e deliciosa em quase todos os momentos da pedalada, da preparação ao pós-pedal. A seguir, aprenda a consumi-las na medida certa.

ANTES DE PEDALAR: MASSA FINA E COBERTURA SIMPLES
A norte-americana Susan Kitchen, especialista em nutrição esportiva e mestra em saúde pública, é também treinadora de resistência e técnica para triatletas que visam o Ironman, competição que soma 3,8 km de natação, 180 km de bike e 42 km de corrida. Além de trabalhar na preparação de esportista com sua empresa, a Race Smart, Susan participa frequentemente de provas. Você sabe qual é a refeição preferida de Susan antes de um Ironman? Pizza vegetariana feita no forno a lenha.

“No dia anterior, eu faço minha última refeição (pizza) por volta das 15h”, conta Susan. “Depois, como um lanchinho leve, lá pelas 19h, e vou dormir”, diz. Ela recomenda evitar pizzas muito gordurosas, além de brócolis e outros vegetais de difícil digestão. E sugere opções mais básicas para o período pré-prova, para evitar possíveis problemas estomacais e intestinais, principalmente se a participação no evento envolve viagem.

“Sim, a pizza tem muitos carboidratos, e atletas precisam deles como fonte primária de energia para ‘dar um gás’ nas vias metabólicas do organismo, incluindo a capacidade de queimar gordura para obter energia”, explica Susan. “Em geral, a massa é feita de farinha branca, que é exatamente o que queremos antes de uma prova ou de um treino, porque ela tem baixo teor de fibra”, explica. Algum tipo de carne e queijo fornecerão proteínas, e o molho de tomate trará alto teor de potássio, vitamina C e antioxidantes, acrescenta a especialista.

APÓS PEDALAR: MASSA GROSSA, COM DIREITO A TODOS OS INGREDIENTES
Depois de pedalar, vale tudo! “É nessa hora que você vai querer caprichar nas proteínas (peperoni, frango ou linguiça, por exemplo) e vegetais na cobertura”, sugere Susan. “A pizza também tem carboidratos para repor os estoques de glicogênio, enquanto os demais ingredientes proteicos atuam na recuperação e no reparo muscular”, afirma Jennifer Sommer-Dirk, especialista em nutrição esportiva, com mestrado na área da saúde, que compete regularmente em provas de bike com subidas pesadas em altitudes elevadas, como as norte-americanas Copper Triangle, Iron Horse Bicycle Classic e Triple Bypass. “Além disso, o sódio do molho e do queijo vai ajudar a repor os eletrólitos. E eu não me preocuparia se a massa é fina ou grossa depois de uma prova: você precisa de carboidratos, sem falar que fez por merecer!”

A pizza pode ser amiga do seu treino: é só adequar o tipo e o momento

ENQUANTO PEDALA: O PODER DO PÃO SÍRIO
Não vamos mentir: comer pizza no meio de um treino é um enorme desafio. A menos que você esteja fazendo uma pedalada longa e fácil, pode ser bem complicado digerir ingredientes complexos. Mas para a sorte de quem é realmente fanático por pizza, há algumas opções, principalmente graças ao embalo de empresas produzindo alimentos saborosos para serem consumidos nesses momentos.

Um bom exemplo desses produtos é a bebida com sabor de pizza da marca norte- americana Clif Bar. Com textura e sabor semelhantes ao de um molho de pizza marguerita, uma única porção contém 160 calorias, 890 mg de potássio, 600 mg de sódio, 5 gramas de proteínas e 17 gramas de carboidratos.

Se você não se sente atraído pela ideia de saborear uma pizza em forma semilíquida, simplesmente despeje a bebida em um pão sírio para ter um resultado mais parecido com o de uma pizza. Você pode até cobrir com queijo e salame para aumentar o aporte de proteína e gordura em pedaladas mais longas (uma ótima opção para cicloviajantes). É claro que, a essa altura, você talvez queira simplesmente colocar um pedaço de pizza de verdade no bolso da sua jersey e aceitar as consequências gastronômicas.

VEREDITO: COMER OU NÃO COMER PIZZA
Nós não vamos exagerar a ponto de dizer que a pizza é um superalimento, mas é maravilhoso saber que, quando bem feita, pode ser a fonte de energia certa para nosso corpo.

*Publicado originalmente na edição 10 da revista Bicycling, de maio/junho de 2017

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