Por que é tão bom tomar cerveja depois de pedalar

Por Gloria Liu, da Bicycling US

Por que é tão bom tomar cerveja depois de pedalar
Imagem: Shutterstock

Aquela cerveja no fim do treino, no estacionamento, pode não ter sido inventada por ciclistas. Aliás, nem é exclusividade de ciclistas: o pessoal do trekking, do skate, da escalada e adolescentes em geral costumam usar o estacionamento para tomar uma gelada. Mas defendo que nenhum grupo sabe como os ciclistas por que é tão bom tomar cerveja depois de pedalar. 

Começa pela gratificação imediata. Aquele primeiro gole gelado é mais delicioso do que aquela descida longa e maravilhosa, ou do que a última volta do criterium. Além disso, tem a sensação de “eu mereço”, principalmente depois de um treino bem feito, uma recompensa por ter vencido a preguiça de sair de casa, ou só para comemorar a vitória que é conseguir arrumar tempo para a bike mesmo tendo tantos compromissos como trabalho, casa, estudo.

Outra vantagem da cervejinha é ficar mais tempo fora de casa, principalmente nos treinos que acabam no fim da tarde, com o pôr do sol deixando o mundo coberto daquela luz dourada. Mais meia horinha de ar livre e fresco antes de voltar às responsabilidades. 

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Mas o mais importante: estar junto. A cerveja no estacionamento antes de ir para casa sela a amizade depois de um pedal incrível. E não é papo furado, esse amor pela gelada em grupo depois do pedal é uma das coisas que nos torna profundamente humanos. 

“Como espécie, somos viciados em rituais”, diz um relatório da Comissão Europeia, intitulado “Aspectos Culturais e Sociais da Bebida.” Diz o relatório que “quase todos os eventos significativos da nossa vida são marcados com algum tipo de cerimônia ou celebração – e quase todos esses rituais, na maior parte das culturas, envolve álcool.” Bebemos para celebrar casamentos, aniversários, promoções no trabalho, formaturas. A brejinha no fim do pedal é uma celebração do próprio pedal e de ter compartilhado aquele dia. 

De acordo com o mesmo relatório, cada cultura determina seus próprios “locais de beber”, ambientes especiais que são um “mundo social discreto com suas próprias leis, costumes e valores”. Na cerveja pós-pedal, é perfeitamente aceitável estar sujo de suor e sujeira, de capacete, de roupa de ciclismo. Ou seja, com a qual você jamais entraria no barzinho do sábado à noite. As regras são menos rígidas e dobram as expectativas da sociedade de como nós deveríamos nos apresentar e como nós deveríamos beber. Na bike, somos livres e um pouco rebeldes. E na cerveja depois de pedalar, podemos esticar esse momento mais um pouco.   

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O paradoxo da cerveja depois de pedalar é que o menos importante de tudo é a cerveja. Há pouco tempo atrás, eu estava em um pedal com um grupo de 15 pessoas que terminou em um boteco. Ficamos por quatro horas na trilha e aconteceu muita coisa: cada hora um de nós puxou um trecho mais técnico e deu força para os outros. Teve algumas quedas, que resultaram em um câmbio quebrado e lágrimas. 

No fim, alguns do grupo quebraram. Mas quando voltamos para o carro, um dos caras tirou um cooler enorme do carro, e todo mundo sorriu, mesmo quem não bebia e não pegou cerveja. Não importava quem estava bebendo ou não. Conforme abrimos as latinhas de cerveja ou as garrafas de água e demos um high-five, sentimos que estávamos comemorando juntos. É como se tivéssemos um clube da juventude secreto e estivéssemos celebrando apenas por estarmos vivos.