Por Maggie Niemiec, para a Men’s Health

Você começa seu treino animado e lá pela metade começa aquela pressão na cabeça. É a terrível enxaqueca de atividade física se instalando – e ela pode até interromper seu treino ou minar sua performance, dependendo da intensidade. Além de ser um balde de água fria, principalmente quando você está focado e quer dar o máximo de si para atingir seus objetivos.

Antes de mais nada, entenda porque elas acontecem. Alguns exercícios causam o mesmo efeito da manobra de Valsalva. Trata-se de exalar o o ar contra os lábios fechados e nariz tapado, forçando o ar em direção ao ouvido médio se a tuba auditiva estiver aberta. Esta manobra aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso ao coração e aumenta a pressão arterial, além de evidenciar sopros e hérnias abdominais. “Ela causa, por sua vez, aumento da pressão intracranial, transmitida pela veia jugular, favorecendo a dor de cabeça”, explica o neurologista Michael Cutrer, especializado em dor de cabeça na Mayo Clinic.

Ao mesmo tempo, seu corpo libera adrenalina e outras substâncias que aceleram seus batimentos cardíacos. Sua respiração acelera também. Se você é uma pessoa mais vulnerável a dor de cabeça, todas mudanças bruscas no seu corpo, como picos de adrenalina, aumento de pressão sanguínea ou dos batimentos cardíacos, podem ativar seu sistema de dor de cabeça se ele já é hiper reativo.

Uma dor de cabeça típica e inofensiva tem a sensação de pressão leve na cabeça, ou de latejar, e frequentemente afeta as laterais da cabeça. Pode começar durante ou no fim de exercício extenuante, com início ocorrendo gradualmente minutos depois da atividade ou cerca de uma hora depois, diz Cutrer. Tanto atividades aeróbicas quanto treino de força podem desencadear dores de cabeça em pessoas mais suscetíveis.

“Exercícios extenuantes contínuos são o gatilho mais comum,” diz a médica especializada em dores de cabeça MaryAnn Mays, da Cleveland Clinic. “Malhar em tempo quente também favorece o problema, particularmente quando as pessoas se desidratam em ambientes úmidos.”

Outros fatores de risco incluem treinar em ambientes muito claros, no sol, sentindo fadiga, com hipoglicemia ou histórico de enxaqueca. Pacientes com dores crônicas no pescoço podem ter também dores de cabeça induzidas por exercícios, de acordo com Mays.

Quase sempre, porém o problema não é sério. As dores de cabeça cedem em menos de 6 horas, mas podem durar até 48 horas depois do fim da atividade, diz Mays.

Porém, em casos raros, dores de cabeça induzidas por exercícios podem ser fatais. Se o início é súbito, em questão de segundos, com intensidade máxima da dor em cerca de um minuto, procure um médico imediatamente. Pode ser um sintoma da ruptura de um aneurisma, que pode causar hemorragia cerebral, diz Cutrer.  Outros sintomas são vômitos, perda de consciência, rigidez no pescoço e sintomas neurológicos como vista dupla e dificuldade de falar. Esses sintomas pedem atenção médica imediata.

Se você sofre de dor de cabeça com frequência durante atividade física, mesmo que não seja severa, é uma boa ideia passar no médico. Um exame de imagem cerebral como ressonância ou tomografia podem identificar um tumor ou aneurisma, entre outros possíveis problemas. Se você não tiver nenhum desses problemas, seu médico pode prescrever um antiinflamatório não-esteróide uma hora antes da atividade física. Eles bloqueiam as prostaglandinas, agentes inflamatórios produzidos pelo corpo e responsáveis pela dor.

Outras formas de evitar dor de cabeça no treino: faça um bom aquecimento antes de começar as partes mais intensas, como sprints ou levantamento de peso. Médicos não sabem dizer exatamente porque funciona, mas ajuda a reduzir a dor de cabeça. Outras estratégias de prevenção incluem dormir bem, reduzir cafeína e álcool e estar bem alimentado e hidratado antes de treinar.