Quando conforto rima com velocidade – Specialized Ruby

Com um quadro que conta com um sistema de amortecimento no cockpit, a nova Specialized Ruby é ultramacia sem perder nada em agilidade

Um sistema de duas molas amortece os solavancos da estrada na Specialized Ruby

Por Erika Sallum, de Paris

Para lançar a nova Ruby – versão feminina do modelo Roubaix –, a Specialized não poupou esforços. Convidou um grupo de jornalistas-ciclistas de vários cantos do mundo para testar, na França, a bike proclamada pela marca como sua mais incrível criação em muitos anos. Fez segredo, criou uma estratégia de marketing em que nada sobre o assunto poderia ser divulgado antes de 9 de setembro e espalhou nas redes sociais fotos e frases misteriosas. Convite aceito, e lá fomos nós, vindas de terras como Brasil, Estados Unidos, Bélgica e Suécia, para a missão de pedalar, durante dois dias, por estradinhas vicinais francesas a bordo da nova bicicleta. Fato inegável: você nem precisa de uma supermáquina para se encantar com os belos pedais proporcionados pelo país europeu que é berço do Tour de France. Entretanto, após a bateria de testes, a impressão que fica é mesmo uma só: pouco importa onde você está, a nova Ruby vai te deixar de queixo caído de admiração, tanto pela performance como pela aparência – e em especial pelo conforto.

No caso dessa bike sensacional, conforto surpreendentemente vira sinônimo de velocidade, algo impensável até então no ciclismo de estrada, esporte no qual toda e qualquer característica para amaciar o pedalar acaba, em teoria, deixando tudo mais lento. Na nova Ruby, você vai mais rápido porque se sente mais confortável e vice-versa.

Os engenheiros e designers da Specialized investiram cerca de dois anos no projeto, durante os quais fizeram uma parceria com a McLaren, da Fórmula 1, para pesquisar todas as possibilidades de criar um modelo macio, porém rápido. Após muitos testes e protótipos, chegou-se à versão atual, que estará disponível no mercado brasileiro em outubro. A grande sacada da Ruby se localiza em seu cockpit, que conta com um sistema de amortecimento composto por duas molas – a bike vem com um conjunto de três molas cambiáveis, dependendo do tipo de pedalada (race, treino ou diversão). Esse sistema absorve os impactos do terreno, sem transferi-los para o ciclista. Achou que a frente da bike ficou muito “mole”? Basta trocar pela mola mais rígida, ideal para dias de competição ou rolês velozes.

Para completar, freios a discos hidráulicos para garantir segurança na frenagem, levíssimas rodas Roval CL 32 para reforçar a aerodinâmica e, para os atletas mais abastados, um grupo Ultegra eletrônico. Finesse em níveis estratosféricos.

Item “cosmético”, porém igualmente incrível, é a cor da bike testada: um “burple” cintilante, mistura de azul (blue) e roxo (purple). Assim qualquer pedal fica gratificante.

Quem, como eu, torcia o nariz para a Ruby pelo modelo perder em eficácia ao focar em conforto para pedaladas mais longas agora terá que morder a língua. Eu mordi a minha e ainda sobrou energia para dar um belo sorriso ao acelerar naquela subida de serra francesa. specialized.com.br; de R$ 11.000 (Ruby SL14 Rim) a R$ 33.000 (Expert UDi2); a partir de outubro no Brasil

* Matéria publicada originalmente na Bicycling 6, de setembro/outubro de 2016.