Praia ou montanha: quatro viagens para você fazer no pedal

Arrume os alforjes e a bike e caia na estrada. Listamos a seguir 4 roteiros imperdíveis

Listamos a seguir 4 viagens imperdíveis e perfeitas para você fazer no pedal.

Por Ricardo Ampudia

Circuito Lagamar (SP)

Pedal pela areia batida da Praia de Maruja, na Ilha do Cardoso (Shutter)

Bem próximo a São Paulo, o roteiro inclui praia e o interior rural do Vale do Ribeira. O caminho não é muito difícil, com poucas subidas e alguns trechos com pedras soltas, sinalizado, ideal para iniciantes no pedal. É uma das viagens mais tradicionais, com cerca de 180 km e vale a pena ser percorrida em três dias. O trajeto sai de Ilha Comprida, cruzando a ponte até a cidade histórica de Iguape, com suas ruas de paralelepípedos e casarões antigos. A partir dali, um trecho de cerca de 50 km por fazendas da região, que cultivam de bananas a búfalos, leva até a pequena Pariquera-Açu.

No segundo dia, a viagem de 60 km vai até Cananeia, passando por Jacupiranga e cruzando de balsa até a parte continental da cidade, em Porto Cubatão.

Em Cananeia vale aproveitar a vista dos barquinhos no canal ou passar o dia na praia, tomando mais uma balsa. O último dia é quase todo pela praia até Ilha Comprida. Fique de olho na maré, em especial em dias de tempo ruim. Até a localidade de Pedrinhas, cerca de 16 km, o percurso é todo pela praia. A partir de lá, se a areia estiver muito fofa, vale pegar a estrada de cascalho que margeia as praias.

DICA: Uma variação dessa rota é tomar um barco de Cananeia até a Ilha do Cardoso e pedalar pelas trilhas na mata e longos trechos de praia deserta, tomando ainda outro barco até a ilha de Superagui, no Paraná.

>> 3 subidas que desafiam qualquer ciclista

Circuito Vale Europeu (SC)

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Saindo de Timbó (SC), a 30 km de Blumenau, o circuito é um dos mais bem organizados do país e mistura paisagens naturais à cultura, gastronomia e arquitetura dos imigrantes europeus. O trecho passa, por exemplo, na cidade de Pomerode, onde se fala alemão nas ruas, e pela italiana Ascurra, famosa pelos queijos e vinhos.

Os organizadores aconselham percorrer a rota em sete dias, passando por nove cidades. Com um pouco de organização, é possível fazê-la em até quatro dias, juntando trechos em pedais um pouco mais longos. A rota tem uma parte alta e uma parte baixa, por isso vale se preparar para pedaços com uma altimetria que exige um pouco mais de fôlego.

DICA: Evite a época da Oktoberfest, que acontece em Blumenau, em outubro, que além de tornar a região muito mais movimentada eleva os preços de pousadas e atrações turísticas.

Serra do Espinhaço (MG)

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Considerada a única cordilheira brasileira, a Serra do Espinhaço se estende entre Minas Gerais e Bahia, passando por lugarejos da época do Brasil Colonial A maior herança aventureira desse pedaço do país são os caminhos e trilhas criados para levar o ouro e diamantes até a então capital Rio de Janeiro.

Umas das rotas mais clássicas é o trecho da Estrada Real conhecido como Caminho dos Diamantes, que liga Diamantina a Ouro Preto, ambos em Minas Gerais.

O trajeto tem quase 395 km, sendo 180 km de subidas e descidas, a maior parte em estradas de terra. O sentido Diamantina – Ouro Preto é menos exigente e leva oito dias para ser completado.

O percurso atravessa cidades históricas conhecidas, como o ponto de partida Ouro Preto, além de Mariana, Catas Altas e Bom Jesus do Amparo. Um desvio de rota bastante interessante é explorar a Serra do Cipó, no sul do Espinhaço, com sítios arqueológicos e cachoeiras de tirar o fôlego. Com sorte o viajante consegue avistar tamanduás e lobos-guarás, comuns na região.

Dê um tempo nas barrinhas de cereais e guarde espaço no estômago ao chegar em Serro, cidade famosa por seus queijos regionais. Em Diamantina, um passeio a pé (ou de bike) pelas ruas da cidade enche os olhos com a arquitetura colonial, Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 1999.

DICA: Prepare as pernas, pois alguns pontos tem altimetria cansativa. O trecho entre Mariana e Diamantina possui alguns desvios devido à lamentável tragédia de Mariana, após o rompimento de uma barragem. Por isso informe-se e obedeça a sinalização.

Serra da Mantiqueira (SP e RJ)

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A Serra da Mantiqueira é um reduto de Mata Atlântica que se alonga entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Vários trajetos de cicloturismo e mountain bike podem ser explorados na região, em trechos ou em uma longa viagem de Joanópolis (SP) até Resende (RJ), com cerca de 400 km com muita subida.

Um trecho mais curto e bastante interessante liga Monte Verde (SP), colado a Campos do Jordão, a Visconde de Mauá (RJ). São cerca de oito dias de viagem, a maioria em estrada de terra, passando por cidadezinhas como Itamonte, Santo Antônio, Marmelópolis e Maringá. Campos do Jordão é a primeira atração do caminho, com suas arquitetura campestre e badalação em alta temporada.

A partir de lá, uma série de estradinhas de chão passa por entre matas, bosques de reflorestamento e margeia algumas cachoeiras. No trecho até Marmelópolis, o Pico do Marins, bastante procurado por montanhistas, dá o ar da graça durante todo o caminho.

Além da beleza do caminho, vale a pena passear pelos pequenos vilarejos usados como pontos de parada para conhecer a cultura local, isolada dos grandes centros urbanos.

Os amantes do ciclismo de estrada mais performance também contam com estradas bem asfaltadas e serras de deixar escaladores ofegantes.

DICA: Confira a previsão do tempo. Não raro as estradas da região ficam intransitáveis e tem desmoronamentos na época de chuvas mais intensas