Quem eram os ciclistas mortos pelo Estado Islâmico

Dois americanos, um holandês e um suíço pedalavam ao redor do mundo até serem mortos brutalmente em país da Ásia Central

Depois que um ataque terrorista deixou 4 ciclistas mortos no Tajiquistão, quisemos saber quem eram esses aventureiros que levavam a vida sobre as duas rodas.

No último domingo, quatro turistas morreram depois de serem propositalmente atropelados e, em seguida, esfaqueados em uma estrada em uma região montanhosa do distrito de Danghara, a cerca de 70 km de Duchambé, capital do Tajiquistão, na Ásia Central. Posteriormente o grupo Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque.

Os ciclistas seguiam em um grupo de sete pessoas (entre norte-americanos, suíços e holandeses). Os três sobreviventes ficaram feridos, mas foram socorridos e estão fora de perigo.

Acima, Jay e Lauren, em algumas de suas viagens de bike pelo mundo 

Hoje, uma matéria publicada pelo site da revista Go Outside revelou a identidade dos dois norte-americanos que foram mortos violentamente neste ataque: Lauren Munoz e Jay Austin. Os dois escreviam no blog Simply Cycling, onde certa vez chegaram a declarar: “Queremos pedalar mais pacificamente através de lindas paisagens, dormir mais em campos abertos sob céu limpo, pores-do-sol mais tranquilos e pessoas mais amigáveis…”

Lauren era da Califórnia, e pedalava ocasionalmente com sua família até se tornar uma ciclista séria ao se mudar para Washington. Viagens de bicicleta eram sua grande paixão. A eficiência, a acessibilidade e o bem-estar ao ar livre a motivavam a pedalar cada vez mais.

Lauren e Jay haviam iniciado esta jornada na África do Sul há exato um ano, indo até a Tanzânia e depois voando para o Marrocos para pedalar pela Europa Oriental, antes de finalmente seguirem pela Ásia Central. Eles planejavam ainda ir à Austrália e, em seguida, à América do Sul, de onde retornariam aos Estados Unidos.

A maioria dos posts do casal expressa a felicidade por levar uma vida sobre o selim. O último, no entanto, assinado por Jay, diretamente do Quirguistão, em 11 de julho, é possível perceber que nem tudo era alegria. Eles já haviam sido abordados por um carro na estrada, e tiveram dificuldades para se livrar de pessoas hostis que falavam em russo.

Semanas depois, infelizmente, a abordagem seria ainda mais intensa. Em um vídeo de má qualidade que publicamos ontem (VEJA AQUI) , é possível ver um carro desviando para o lado oposto da estrada e atropelando um dos ciclistas, que é arremessado para o acostamento.

Um suíço e um holandês foram outros dois ciclistas mortos no Tajiquistão

Markus Hummel em uma viagem de bike em 2017

Além dos norte-americanos, foram mortos no ataque o suíço Markus Hummel e o holandês Rene Wokke. Outros três ciclistas que pedalavam no mesmo grupo sobreviveram.

Rene, que tinha 56 anos, estava pedalando pelo Tajiquistão com a esposa, Kim Postma, 58, que ficou ferida no ataque e permanece hospitalizada. O casal ainda seguiria ao Irã antes de retornar à Holanda.

René Wokke salvando uma águia em uma de suas viagens de bike

Já Markus havia descrito sua bike trip pela Silk Road como a “viagem dos sonhos”.

Lamentamos profundamente que fatos como este ainda sejam uma realidade.