Quem pode bater Chris Froome no Tour de France 2008?

Com sua quarta vitória seguida no Tour, o britânico claramente é um favorito, mas por quanto tempo?

Romain Bardet é um dos nomes que podem dificultar uma vitória de Froome no próximo Tour. Imagem: Richie Porte tem o perfil, mas dias ruins são suficientes para tirá-lo do jogo. Imagem: Brakethrough Media

Por Joe Lindsey

Com 54 segundos de vantagem diante do segundo colocado no ranking do Tour, Rigoberto Uran, a quarta vitória de Chris Froome foi a mais apertada de todas. Em 2015, ele venceu Nairo Quintana por 1:12, mas nas suas outras duas vitórias a distância dele para os outros vencedores foi de confortáveis quatro minutos ou mais.

A margem apertada desse ano é um sinal que o campeão está se tornando mais vulnerável? Se a resposta for sim, quem será o nome que vai impedi-lo de conquistar uma vitória histórica em 2018? Uma quinta vitória no Tour coloca Froome no mesmo panteão que Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain.

Um olhar superficial sobre o Tour desse ano sugere que Froome teve desafios mais duros do que nunca com relação a seus adversários, e mostrou mais momentos de fraqueza do que nunca. Se você é um ciclista como Romain Bardet, Nairo Quintana ou Rigoberto Uran, é um incentivo. Mas eles também têm seus próprios desafios. Essa é nossa lista de possíveis oponentes que podem destronar Froome em 2018.

Nairo Quintana

Com uma estratégia melhor do que a desse ano, Nairo Quintana pode ser uma pedra no sapato para Froome. Imagem: BRAKETHROUGH MEDIA

As chances: Quintana foi eleito como principal candidato a derrotar Froome quando ele terminou em segundo, em 2013, e ganhou a camisa branca de melhor ciclista jovem e melhor escalador. Desde então, Quintana venceu outras duas voltas importantes – o Giro d’Itália e a Volta da Espanha – e na Volta da Espanha do ano passado ele disputou com Froome cabeça com cabeça.

Os desafios: O Giro e a Vuelta são implacavelmente montanhosos. As subidas são mais longas e mais pesadas. No Tour, não existem as subidas com mais de 20% de inclinação do Mortiolo na Itália, ou do Angliru, na Espanha. Isso faz diferença porque Froome não se dá bem justamente nessas subidas mais íngremes. Quintana nunca foi melhor que segundo no Tour, e esse ano a tentativa de emplacar uma dobradinha de Giro e Tour terminou com ele talvez mal orientado, já que Tom Dumoulin despontou como vencedor do Giro e os esforços de Quintana claramente cobraram a conta em julho.

Romain Bardet

Sempre com boas colocações gerais, Romain Bardet é ciclista com perfil de campeão do Tour. Imagem: BRAKETHROUGH MEDIA

As chances: Apesar de uma etapa 20 desastrosa, na qual ele perdeu quase dois minutos para Froome em 22.5km — mais de cinco segundos por quilômetro — Bardet ainda assim conseguiu terminar em terceiro lugar geral. Na chegada, ele comentou que estava se sentindo esgotado e começando a quebrar, e claramente não foi seu melhor dia. Considerando que ele tem apenas 26 anos e seu currículo no Tour apresenta posições como 15th, 6th, 9th, 2nd e 3rd, ele está na prova para brilhar.

Os desafios: Assim como Quintana, Bardet não é um ciclista com perfil de contrarrelógios, com apenas duas performances dignas de nota na sua carreira: um quinto lugar no contrarrelógio montanhoso de Megève que foi vencido por Froome (Bardet ainda assim perdeu por 42 segundos), e um sexto lugar num contrarrelógio curto no Tour da Romandie no qual ele venceu Froome por 10 segundos. Apesar dele ter apenas 26 anos, ele pode estar perto do teto no desempenho máximo que pode ter nesse tipo de prova.

Rigoberto Uran

Rigoberto Uran foi vice-campeão esse ano e potencial para dominar o próximo Tour. Imagem: BRAKETHROUGH MEDIA

As chances: o vice-campeão de 2017 Rigoberto Uran foi a grande surpresa do Tour desse ano. Ele é um escalador forte com resultados sólidos no contrarrelógio. Na etapa 20, ele foi o ele foi o melhor oponente de Froome, perdendo por apenas 25 segundos. Uran já tinha tido bom desempenho nos CR, mas até sábado, ele tinha ficado uns bons anos sem um resultado tão bom. Se ele melhorar um pouquinho em 2018, ele vai ter boas chances.

Os desafios: O tempo está contra Uran. Ele tem 30 anos, o que é a idade aproximada do auge da carreira dos ciclistas do Tour. Mas Uran é ciclista profissional há 11 temporadas – como no caso de Alberto Contador, essas pernas ainda têm muitos quilômetros para rodar.

Mikel Landa

O perigo mora ao lado: hoje na mesma Mikel Landa talvez seja o oponente mais duro de Froome ao mudar de equipe. Image: Rigoberto Uran foi vice-campeão esse ano e potencial para dominar o próximo Tour. Imagem: BRAKETHROUGH MEDIA

As chances: Mikel Landa foi a revelação do Tour 2017 como gregário nas subidas para Froome e é outro nome quicando, já que ele deve sair da Sky em 2018, e ir para outra equipe como líder – provavelmente para a Movistar. Landa ficou em terceiro na colocação geral do Giro (pela Astana, em apoio a Fabio Aru, que ficou em segundo lugar geral), e provavelmente foi o melhor escalador do Tour esse ano. Além disso, Landa se destaca nos CR diante da média dos escaladores.

Os desafios: Apesar dele ser bastante competente no contrarrelógio, Landa não chega a dar frio na espinha de Froome. E em dois anos na Sky, ninguém conhece ele melhor do que seu chefe atual.

Primoz Roglic

Primoz Gorlic, da LottoNL-Jumbo, luta contra o tempo. Com 27 anos, ele vem de uma carreira em ski jump e pode estar na elite se conseguir compensar a entrada tardia. Imagem: BRAKETHROUGH MEDIA

As chances: Trazer o nome do ciclista da equipe LottoNL-Jumbo é reconhecidamente especulação. Roglic com frequência é retratado como especialista em contrarrelógio, com uma vitória de destaque no último Giro, entre outros resultados. Mas ele é também um ciclista sólido na classificação geral das provas, com bons resultados em etapas de semanas longas e montanhosas, como a Volta do País Basco e o Tour de Romandie. A vitória dele na Etapa 17 do Tour desse ano provou que ele é um escalador competente também.

Os desafios: O principal problema de Roglic é tempo. Como ele teve uma carreira antes como ski jumper, Roglic entrou no ciclismo de estrada há poucos anos e está no segundo ano no WorldTour, mas ele já tem 27 anos. A batalha vai ser uma curva de aprendizado acelerada para chegar a seu auge físico, nos próximos anos. É certamente esperar demais que ele vença o Tour em 2018, e a janela pode ser muito curta para isso.

Tom Dumoulin

Bom tanto em subidas como no contrarrelógio, Tom Dumoulin venceu o Giro desse ano, mas precisa ainda aprovar que pode ter o mesmo desempenho em um Tour. Imagem: Primoz Gorlic, da LottoNL-Jumbo, luta contra o tempo. Com 27 anos, ele vem de uma carreira em ski jump e pode estar na elite se conseguir compensar a entrada tardia. Imagem: BRAKETHROUGH MEDIA

As chances: o vencedor do Giro d’Italia desse ano Tom Dumoulin talvez seja quem mais tem chances de vencer o Tour porque, como Froome, ele é um contrarrelogista de primeira, e um escalador forte. No Giro desse ano, ele mostrou que pode subir bem, vencendo a etapa de montanha de Oropa e se garantindo entre escaladores como Quintana, Vincenzo Nibali e Thibaut Pinot, entre outros. Ele também tem uma equipe forte e comprometida com ele. Dumoulin renovou com a Sunweb ao fim do Giro até a temporada de 2020 — um contrato de longo prazo sem precedentes em um esporte em que a regra são contratos de um ou dois anos.

Os desafios: Desde que assumiu como diretor do Tour, Christian Prudhomme tem optado por contrarrelógios longos, que favorecem Dumoulin. Ele pode ter que dividir a liderança da equipe com o sprinter Michael Matthews, vencedor da camisa verde desse ano, o que divide os esforços da equipe. E, como prova a experiência, o sucesso no Giro ou na Vuelta não garantem sucesso no Tour. Dumoulin já disputou quatro Tours, mas não terminou duas vezes e nunca completou com uma colocação melhor do que 41. Ele ainda tem que provar que pode competir um Tour a sério.

Richie Porte

Richie Porte tem o perfil, mas dias ruins são suficientes para tirá-lo do jogo.
Imagem: Cortesia ASO

As chances: No Tour de 2017, a expectativa era que Porte seria o oponente mais forte de Froome. Ele é um montanhista forte e é, além do próprio Froome, considerado o melhor especialista em CR entre os competidores.Ele estava em quinto na colocação geral, apenas 39 segundos atrás do Froome, quando bateu, em um bloco com ciclistas de elite que pegariam as melhores posições, logo na sequência. Porter também tem uma equipe forte e muita experiência.

Os desafios: Colocando bem objetivamente, um dia ruim tira Porte do jogo. Nas últimas três tentativas de liderar uma equipe em um Grand Tour, ele teve um pneu furado, uma batida ou outro acidente que tenha custado a ela uma queda no ranking. Porte culpou a estrada molhada em sua queda na Etapa 9, mas nenhum dos 20 primeiros a completar a etapa derrapou na descida do Mont du Chat. Até Porte conseguir garantir um Grand Tour, ele será um oponente ainda se desafiando.

Um dia, um rival ou a idade — ou ambos — vai derrubar Froome. Mas para o ciclista que fizer isso, a vitória vai ser mais doce se ele derrubar Froome no seu auge. Isso quer dizer que teremos belos espetáculos na estrada pelos próximos anos.

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