RAAM: 8 dias de pedal para 8 horas de descanso

O suíço Christoph Strasser vence a edição 2018 da RAAM, que foi marcada por outros feitos impressionantes

Na última semana, a prova mais aclamada e disputada do mundo do ciclismo de longa distância – a Race Across America (RAAM)  – foi marcada por recordes e, claro, momentos de superação extrema.

O campeão na categoria solo foi o austríaco Christoph Strasser, que se tornou quatro vezes campeão da RAAM e se igualou à marca do lendário esloveno Jure Robic (1965-2010). Desta vez, Christoph levou 8 dias, 1 hora e 23 minutos para completar os 4.800 quilômetros entre as costas oeste e leste dos Estados Unidos. Durante esse tempo, ele ficou fora da bike apenas 8 horas – isso mesmo, foram só 8 horas de descanso.

“Meu objetivo era completar em menos de oito dias”, disse Christoph ainda um pouco desapontado. Neste ano, o austríaco pedalou a uma média de 26 km/h. Ele havia sido mais rápido em 2014, quando venceu a RAAM depois de 7 dias e 15 horas e 56 minutos de prova.

Na RAAM 2018, o luxemburguês Ralph ‘Dizzy’ Diseviscourt terminou em segundo lugar ficou, em 9 dias, 12 horas e 33 minutos.

Mulher no pódio da RAAM

Mais impressionante foi a suíça Nicole Reist, a primeira entre as mulheres a cruzar a linha de chegada, que ficou em terceiro na geral (entre homens e mulheres que competiram na solo). Em 2017, Nicole já havia vencido a dura Race Across Ireland, e agora, aos 33 anos, se firma definitivamente como uma das principais ultra ciclistas da atualidade. Nicole pedalou a uma velocidade média de 20,5 km/h, concluindo o desafio em 9 dias, 23 horas e 57 minutos.

Claudio Clarindo, brasileiro que fez história na RAAM

Ironicamente, na semana em que rolava a RAAM, no Brasil saía a sentença de Gabriel Bensdorp, de 26 anos, que em 2016 atropelou e matou o ciclista santista Claudio Clarindo, enquanto ele treinava pedalando pelo acostamento da Rodovia Rio-Santos. Clarindo, que havia completado a RAAM cinco vezes e figurava entre os 10 melhores ciclistas de longa distância do mundo, pedalava com outros quatro ciclistas, que ficaram feridos na colisão – um deles, inclusive, com lesão corporal grave.

Mais de dois anos depois do incidente, a juíza Silvana Amneris Rôlo Pereira Borges, da 6ª Vara Criminal de Santos, condenou Gabriel Bensdorp a dois anos, quatro meses e 24 dias de detenção em regime aberto, substituído por prestar serviços comunitários e pagar um salário mínimo aos sobreviventes e aos dependentes de Clarindo. Em resumo, a juíza achou que ele cometeu crimes de conduta culposa (sem a intenção de ferir ou matar).