Rumo à Brasil Ride –parte 3

A saga de um jornalista (quase) destreinado para completar uma dura prova de MTB

Tiago feliz por ter conseguido terminar a Brasil Ride Warm Up, em Botucatu (SP)

No terceiro episódio da série Rumo à Brasil Ride, o jornalista Tiago Brant conta como foi sua participação na Brasil Ride Warm Up 2018, que aconteceu entre maio e junho de 2018. Foram três dias de mountain bike pelas trilhas nos arredores de Botucatu (SP).

Etapas duras, com distâncias e ascensões nada fáceis desafiaram Tiago, que ainda teve a frieza de ligar a câmera em momentos críticos para revelar o próprio esforço e a luta de outros competidores para concluir este desafio, que aconteceu por uma região linda.

No vídeo abaixo, ele mostra como foi. E a seguir ele também descreve – em palavras – como tem sido sua saga para chegar preparado em mais uma edição da Brasil Ride, que acontece em outubro.

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Brasil Ride Warm Up: preparação sem massagem

“SE VOCÊ QUISER encarar os sete dias de Brasil Ride, que acontecerá no sul da Bahia, é bom se preparar. E com antecedência, porque quando outubro chegar, será tarde demais!

É por isso que a Brasil Ride promove provas preparatórias antes do desafio principal, que é ainda mais exigente. E a melhor delas é, sem dúvida nenhuma, a Brasil Ride Warm Up, que aconteceu no finalzinho de maio e começo de junho – durante o feriado de Corpus Christi – na cidade de Botucatu, interior de São Paulo.

Foram três dias de prova, com etapas de 11,6 km/455m de altimetria no primeiro dia; 80,3km/1.668m de altimetria no segundo; e 107km/2.893m de altimetria no terceiro – esta última, uma etapa digna da Brasil Ride na Bahia, com muitas subidas e um tempo considerável em cima do selim (no meu caso, foram 8 horas de pedal).

Assim como na Bahia, as distâncias são calculadas para não matar o ciclista no primeiro dia e já engrossar o caldo no segundo, para ninguém se acomodar.

Para mim, funciona como uma escadinha, que vai me levando cada vez mais alto e forte rumo ao último dia, quando, se tudo der certo, estou mais preparado do que nunca para encarar qualquer perrengue em cima da bike. Pelo menos neste Warm Up foi assim.

O primeiro dia é um aperitivo, com o circuito já conhecido do Brasil Ride 24 horas. São 11 km, com quase quinhentos metros de altimetria e um pouco de tudo o que se pode encontrar numa prova desafiadora de MTB: travessia de rios, rocky garden em um downhill cabuloso, trilhas técnicas e um trecho final em subida para cansar qualquer marmanjo. Mas tudo pedalável e, portanto, tudo certo.

No segundo dia o caldo engrossa. A quilometragem aumenta bastante e a altimetria também, preparando o terreno para o terceiro e último dia, a etapa rainha da prova, que tem 107 km com muita subida.

Meu parceiro de aventuras, Marcelo Rodrigues, mais conhecido como Champion, não estava treinado, como ele mesmo assume no vídeo, e ‘pagou os pecados’ já no segundo dia. Chegamos esgotados depois de quase seis horas pedalando. Champion ‘acusou o golpe’.

‘Amanhã não vai dar pra mim, Tiagão’, disse meu amigo, entre um suspiro e outro.

Tudo bem, faz parte, esse é o tipo de prova que cobra caro pela falta de treino. Sem minha dupla, encarei o terceiro e último dia sozinho, mas ainda vivo. Quase oito horas depois e, agora sim, realmente esgotado, terminei o desafio de alma lavada e pernas surradas. Mas feliz demais, talvez por conta do excesso de endorfina que irrigava minha corrente sanguínea e me dava aquela sensação de imortalidade momentânea que provas como esta nos conferem.

Não se preocupe. Devaneios à parte, acordar no dia seguinte todo arrebentado é uma certeza que se pode ter.

O recado foi claro: não posso relaxar! Agora tenho que continuar treinando, porque o verdadeiro desafio me aguarda em outubro, na Costa do Descobrimento, sul da Bahia. Dessa vez, meu parceiro provavelmente estará inteiro, para sofrermos e rirmos juntos. Brasil Ride, aqui vamos nós!”