São Paulo vai ganhar novo sistema de bikes compartilhadas

Mobike desembarca em SP em janeiro de 2019, com 10 mil bicicletas

A bike que será implantada em São Paulo
Por Erika Sallum

São Paulo parece que, enfim, entrou mesmo na onda do fenômeno das bikes compartilhadas. Se antes havia por aqui apenas as laranjinhas do Itaú, a chegada de iniciativas como a Yellow comprova que a cidade está na mira das empresas especializadas no que se convencionou chamar de micromobilidade — ou seja, soluções de transporte para viagens rápidas e curtas.

Nessa nova moda dos veículos leves, já estamos vendo pelas ruas paulistanas bikes que podem ser alugadas e deixadas em qualquer lugar (diferentemente das do Itaú, que possuem estações fixas onde ficam travadas), patinetes elétricas e, em breve, bikes elétricas e scooters.

A partir de janeiro, a micromobilidade na capital entra em uma nova fase: finalmente chegam as versões da chinesa Mobike, uma das maiores start ups de bikes compartilhadas do mundo.

(O nome da empresa, entretanto, não pode ser usado no Brasil, pois já existe uma loja de bikes assim chamada e que não entrou em acordo com a Mobike. O novo nome está sendo decidido e será revelado perto da data de lançamento.)

A Mobike, criada em 2015 por uma ex-jornalista chinesa de 36 anos, é a maior empresa de bike sharing do planeta em número de bicicletas, presente nas ruas de mais de 200 cidades em 20 países. São 9 milhões de unidades, que fazem 30 milhões de viagens diárias no mundo. Está presente em locais como Israel, Cingapura, Índia, Estados Unidos, Itália, Reino Unido e Alemanha, entre outros.

Recentemente, começou sua investida na América Latina, com operações em capitais como Santiago, no Chile, e Cidade do México.

A Cidade do México foi a primeira da América Latina a receber as Mobikes (Foto: Divulgação)

Segundo Erick Coser, brasileiro de apenas 26 anos que está por trás da coordenação das operações da Mobike no país, a capital receberá inicialmente 10 mil unidades — bikes sem marchas, semelhantes às Yellow, porém aparentemente mais resistentes –, ao longo do primeiro trimestre de 2019. A meta é atingir 100 mil bikes nos meses ou anos seguintes.

Além de São Paulo, Curitiba vai servir como teste. “A capital paranaense sempre foi pioneira nas discussões sobre mobilidade urbana, por isso resolvemos iniciar nossas atividades lá também”, diz Erik.

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Como se deu com as Yellows, as Mobikes primeiramente serão testadas em um perímetro pequeno da capital, que englobará bairros como Itaim, Pinheiros, a região da avenida Faria Lima e arredores — uma pena, já que são bairros mais afastados e também os centrais que mais necessitam desse tipo de veículo leve, barato e ágil. A empresa ainda não revela valores, porém adianta que pretende trabalhar com planos mensais, em que o usuário paga um valor fixo e pode utilizar quantas Mobikes quiser.

Desde o boom das dockless bikes (como são chamadas as versões que podem ser deixadas em qualquer lugar, sem estações ou dock), surgiram problemas sérios como depredação, vandalismo e revolta da população frente ao mundaréu de bikes que infestaram as ruas (como mostra este vídeo).

Desafio das bikes compartilhas

Em setembro deste ano, por exemplo, a Mobike pela primeira vez encerrou suas atividades em uma cidade devido a roubos e vandalismo, em Manchester, no Reino Unido. “Estamos preparados para enfrentar essas questões por aqui e acreditamos que o Brasil tem um potencial enorme para esse tipo de meio de transporte”, diz Erik.

Para melhorar sua imagem, a start up criou iniciativas como o Mobike Life Cycles, um projeto para ajudar na reciclagem de bikes compartilhadas. Segundo dados da empresa, até 2020, mais de 10 milhões de bicicletas desse setor precisarão ser recicladas. A ideia é, em parceria com outras start ups, incentivar a reciclagem tanto para uso em novas bikes como no reaproveitamento de suas matérias-primas.

Enquanto uma parte da população vai, certamente, virar a cara para as dockless bikes, outra parcela dos moradores de São Paulo irá se beneficiar, sim, ao optar por uma bicicleta desse tipo para cruzar poucos quarteirões até o trabalho ou de volta para casa. Polui menos, desobstrui o trânsito e, ao fazer as pessoas pedalarem, as torna sem dúvida mais felizes.