Sete jeitos de tratar dores sem remédio

Veja outras maneiras de combater ou prevenir a dor, sem apelar pra remédios

Livre-se das dores sem remédio. Imagem: Shutterstock

Por MARK HAM HEID, da Men’s Health

Dor é uma coisa pessoal. Nenhum tipo de exame de sangue ou imagem de laboratório pode dizer ao médico o que você realmente está sentindo. Sem falar que, algo que alivia a queixa de uma pessoa pode não fazer nem cócegas no incômodo de outra. Isso porque a dor, literalmente, está na cabeça de cada um. Assim como as sensações de calor e prazer, a dor é algo que o cérebro cria com base em informações sensoriais que recebe do corpo, comprovam pesquisas recentes da Universidade de Oxford, na Inglaterra. A partir daí, vários fatores podem afetar a intensidade da dor percebida pelo cérebro.

Ansiedade, fadiga e até a expectativa pessoal podem aumentar ou diminuir o sofrimento, revela o estudo. Do mesmo modo, existem diversas formas de encontrar alívio, que passam longe da opção por remédios. Aqui estão sete delas.

1 – Passar tempo com os amigos

Estar ao lado de gente querida ativa o sistema de liberação de endorfinas do cérebro, garante Robin Dunbar, professor de psicologia evolutiva em Oxford. Endorfinas são neurotransmissores de prazer, que ajudam a reduzir a atividade dos centros cerebrais,o que explica por que aqueles momentos com a turma ajudam, inclusive, a diminuir dores, explica Robin. Por outro lado, o isolamento social – isto é, passar muito tempo sozinho e longe dos amigos e da família – está associado a mais dor lombar, de acordo com uma pesquisa da universidade de Melbourne, na Austrália.

2 – Divertir-se

Rir também é uma fonte de alívio poderosa, sugere Robin. Sua pesquisa mostra que dar risada, seja brincando com os amigos ou assistindo a um filme engraçado, pode aumentar seu limiar de dor. Robin também credita isso às endorfinas, já que rir ativa os centros de prazer do cérebro.

3 – Marcar uma massagem

Um estudo de 2015 da Clínica Mayo, nos EUA, traz o que há de mais recente em pesquisa sugerindo que uma sessão de massagem pode acabar ou, pelo menos, reduzir a percepção de dor. Os receptores de pressão na pele respondem ao toque de outra pessoa, ativando o nervo vago cerebral, explica Tiffany Field, diretora do Instituto de Pesquisa do Toque, na Universidade de Miami (EUA). O aumento da atividade desse nervo combate o estresse, diz Tiffany. Essa redução de estresse (e dos hormônios relacionados a ele, como o cortisol) ameniza dores, segundo a especialista.

4 – Rolo de massagem e acupuntura

Usar um rolo de espuma para massagear os músculos pode reduzir desconfortos – mesmo que você não massageie a parte do corpo que está dolorida, mostram estudos recentes no Canadá e na Austrália. Acupuntura também pode amenizar a dor em até 55%, de acordo com uma revisão publicada no periódico Jama Internal Medicine. Assim como a massagem, tanto a acupuntura quanto o rolo reduzem a dor porque diminuem a atividade do nervo vago, diz Tiffany.

5 – Movimentar o corpo

Vinte e cinco minutos de exercício aeróbico, como corrida, ciclismo e natação, já são capazes de reduzir em 28% a percepção de dor, de acordo com um estudo no Journal of Rehabilitation Research and Development. Não importa se você está sofrendo com um incômodo pontual na lombar ou algo crônico, como fibromialgia, exercícios parecem ajudar, dizem os autores da pesquisa. Outro trabalho, publicado no periódico Pain, revelou que atletas têm tolerância maior à dor que não atletas. Acontece que a atividade física ativa os receptores opioides cerebrais, o que acalma a dor (vários analgésicos funcionam atuando exatamente no sistema opioide do cérebro).

6 – Alongar os músculos

Uma hora de ioga ou alongamento por semana pode promover meses de alívio de dor na lombar, como demonstra uma pesquisa publicado no Archives of Internal Medicine. Os voluntários praticaram cerca de 55 minutos por semana ao longo de três meses. Os autores do teste dizem que o componente mental da ioga pode ainda intensificar os benefícios em uma prática mais regular.

7 – Acalmar a mente

Vários indícios relevantes, incluindo um artigo de 2016 no Journal of Neuroscience, associaram a meditação ao alívio da dor. Os autores desse trabalho comentam que ainda não se sabe exatamente como meditar opera essa “mágica”. Mas um fato é certo: a meditação não aciona o sistema opioide cerebral. Isso quer dizer que a prática pode combater a dor por outros caminhos, diferentes dos analgésicos.*Matéria publicada originalmente na edição 10 da Bicycling, de maio/junho de 2017

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