Sobre ciclismo e tecidos impermeáveis

Como as melhores marcas de jaquetas impermeáveis desenvolvem seus modelos

É POUCO PROVÁVEL que exista um ciclista que curta muito pedalar na chuva. Mas é inquestionável que, devido às novas tecnologias, esta prática ficou bem menos desagradável nos últimos anos.

Estamos protegidos da chuva (mais ou menos) há tempos, mas o fato é que novos sistemas deram mais conforto, respirabilidade e aerodinâmica às novas jaqueta impermeáveis. Tudo para tentar deixar o pedal mais prazeroso, independente do clima.

Conversamos com Johannes Ebert, da Gore Cycling Wear, e Steve Smith, da Castelli, sobre como os tecidos à prova d’água são desenvolvidos e como as marcas incorporam novos materiais e tecnologias para deixar essas roupas cada vez melhores.

“Sempre começamos com um problema e encontramos uma solução”, diz Steve. Johannes concorda, completando que, no ciclismo, o problema principal tem sido “o equilíbrio entre o conforto térmico, o preço, o volume da peça e fatores aerodinâmicos – além, é claro, da durabilidade do produto”.

Dessa forma, uma jaqueta pode ser projetada para um fim mais específico do que a outra. Um modelo, por exemplo, pode ser perfeito para você pedalar o dia inteiro na chuva, enquanto outro ganha no quesito “portabilidade”, que aguenta apenas uma chuva leve.

Na tentativa de adicionar mais qualidades a uma única peça, Johannes fez parte das pesquisas da Gore. Após anos de estudos, eles se sentiram confiantes em testar (o agora consagrado) Shakedry – em vez de utilizar uma membrana com tecido facial externo, com o Shakedry o exterior já é a própria membrana. O resultado, além de maior respirabilidade, é a leveza. E, quando dobrado, ele fica extremamente compacto a ponto de caber no bolso com sobra.

O mesmo tecido Shakedry, da Gore, também entrou na linha da Castelli com a jaqueta Idro. Segundo Steve, eles encontram a solução em termos de portabilidade e multifuncionalidade, já que este modelo protege perfeitamente também contra o vento, com a mesma leveza de uma jaqueta corta-vento. Segundo Steve e Johannes, outro desafio é deixar um mesmo modelo, só que em cores diferentes, com performances idênticas.

A questão aerodinâmica também é mais complicada no ciclismo, principalmente nos ombros: ao mesmo tempo em que a melhor respirabilidade é oferecida por tecidos que possuem pouca expansão, um ciclista em uma bike de competição é uma forma difícil de ser envolvida com tecidos não elásticos.

O fato é que esses equipos à prova d’água vão continuar evoluindo, e algum dia quem sabe poderemos achar uma jaqueta que cumpra todos esses requisitos. Até lá, ficaremos de olho no que as marcas têm a nos oferecer.

(Reportagem de James Stout, originalmente publicada no site Bicycling.com)

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