Testamos o novo XTR, o grupo que quer “desequilibrar” o MTB competitivo

Leveza, rapidez e designs e tecnologias repaginados  fazem parte da nova geração das peças top da Shimano

 

Por Mario Mele
Fotos (ensaio) de Fernando Siqueira

HOJE (25/05/2018) a Shimano fez o lançamento oficial do novo XTR, o grupo de peças mais avançado que a marca japonesa fabrica para o mountain bike.

Quem é desse esporte conhece há tempos o tal grupo – e já sonhou em algum momento tê-lo em sua bike. Mas acontece que o novo XTR faz parte de uma nova geração de componentes para mountain bike que acaba de entrar para o rol dos lançamentos mais icônicos da história da Shimano.

Se em 1976 a marca agilizou a troca de marchas com o sistema UG, ou se em 1988 a Shimano deixou a troca ainda mais rápida com o seu HG-Hyperglide (que passou a manter a corrente mais tensionada durante todo o processo), agora o novo XTR, através da nova tecnologia Hyperglide+ promete revolucionar as competições de moutain bike com uma transmissão muito mais fluida, com trocas de marchas em tempo recorde e diminuindo drasticamente o impacto da pedalada durante essas trocas – inclusive nas subidas, quando se coloca mais força nos pedais.

Mas não para por aí: uma mudança na tecnologia do freehub agora também faz praticamente desaparecer aquele barulhinho típico gerado pelo cubo traseiro quando os pneus estão girando, mas os pedais estão em repouso. Há também novos ajustes ergonômicos nos passadores e manetes.

A Bicycling esteve presente no test ride exclusivo promovido pela Shimano Brasil, no fim de maio, em São Paulo, e a seguir passamos a nossa impressão sobre o novo XTR.

Relação de marchas

Quase sempre, a primeira coisa que queremos saber de um grupo de peças é a troca de marchas. O novo XTR está disponível em três relações (1X12, 2X12 e 1X11). A agilidade das trocas foi pensada para o mountian bike de competição – com particularidades para as modalidades cross-country, enduro e maratona. No geral, a nova transmissão Hyperglide+ promete uma troca contínua, independentemente da angulação ou das irregularidades do terreno. Graças a um novo design de pinhões, a troca no novo XTR ficou 1/3 mais rápida do que a de seu antecessor, o XTR com sistema HG.

Nos testes, apenas uma vez a corrente demorou um pouco mais do que o esperado para subir pelos pinhões. Mesmo assim, foi uma troca muito rápida, passando do menor (mais pesado) para o maior em frações de segundo. Apesar da impressão de que certa hora a corrente pudesse cair, ela de repente se grudou ao pinhão quase inesperadamente, corrigindo a tempo o que poderia significar a impossibilidade de uma subida sem desmontar da bike.

Freehub silencioso no novo XTR

Um novo sistema de encaixe, que traz novos ângulos nas estrias de encaixe do freehub (Micro Spline) e com mais dentes ligando o freehub ao cassete, deixam o conjunto mais rígido, o que na prática significa mais eficiência na aceleração, como a Shimano comprovou em alguns testes em laboratório. No entanto, a tecnologia mais perceptível do novo XTR é o freehub Scylence. Neste sistema, ao parar de pedalar, freehub e cassete se desgrudam por completo, deixando a bike completamente livre e silenciosa. E se você realmente presta atenção a este detalhe, vai sentir certa estranheza no começo – e há mountain bikers que curtem esses barulhos típicos. Mas a Shimano preferiu vender a ideia de “somente os sons da trilha”, e sem dúvida é mais uma grande inovação do novo XTR.

Manetes visando máxima ergonomia

A preocupação da Shimano – e de outras marcas como a Sram – com ergonomia de manetes e trocadores não é nova. O I-SpecEV agora permite que os controles sejam posicionados em diversos ângulos, seja para atender aos diferentes estilos de pilotagens (de enduro, XC e maratona), seja para se adaptar aos diversos tamanhos de mãos. E a Shimano garante que, só por conta disso, deixou as trocas de marchas 20% mais rápidas. Além disso, através do I-SpecEV, o manete do freio ganhou um novo ponto de contato com o guidão, diminuindo os riscos de torção e aumentando a eficiência nas frenagens bruscas.

Trocas de marchas suaves

Na configuração 2X12, as trocas de marchas do câmbio dianteiro do novo XTR foram simplificadas. É que no novo trocador Rapidfire Plus (Mono Lever), uma única alavanca permite a troca para cima e para baixo com um clique ou um empurrão (ambos acionados no mesmo sentido). É um mecanismo que promete facilitar a troca entre as coroas, fazendo a corrente subir e descer de forma mais rápida e com um acionamento bem mais intuitivo. Na função 2Way-Release, a alavanca trabalha em movimentos opostos (puxa e empurra). Na prática, além de ser mais leve por ter menos materiais, o sistema deixou a troca de marchas 20% mais rápida, segundo a Shimano.

Canote (seat post) retrátil

Subir e descer a altura do selim durante o pedal é um recurso que existe há algum tempo, mas que ultimamente está ganhando muitos adeptos inclusive no mountain bike cross-country. No novo XTR, a alavanca dropper está suavíssima, com acionamento no guidão e fazendo com que o canote suba de modo contínuo, sem solavancos nem estágios de parada – talvez os trancos e as subidas bruscas ainda inibam o uso deste recurso que é útil principalmente e trilhas mais técnicas (enduro).

Novo encaixe entre corrente e dentes

No novo XTR, a Shimano redesenhou o perfil dos dentes de pinhões e coroas e aumentou a parte interna da corrente, visando evitar movimentos desalinhados desse conjunto, algo mais propício em terrenos irregulares e nas trocas marchas.

Preocupação com o design

O novo XTR foi pautado pelo design clean, percebido nas curvas do cubo, na geometria do conjunto “coroaXpedivela”, nos traços minimalistas dos trocadores e alavancas, além do cockpit “despoluído” de abraçadeiras e cabos.

Sistema de freios inédito

Mais rígidas e mais leves, as alavancas de freio do novo XTR são a melhor aposta da Shimano até agora em matéria de eficiência. Além de otimizarem o desenho dos manetes, visando melhor ergonomia, eles aumentaram a velocidade de retorno. Nos testes internos, a Shimano calculou um ganho de 10% do poder de frenagem. Além disso, os rotores “Freeza”do novo XTR são formados por um “sanduíche de lâminas” que prometem diminuir a temperatura dos discos pela metade.

Conclusões sobre o novo XTR

Prós: O novo XTR tem trocas de marchas precisas; passadores confortáveis; controle do seatpost suave; adaptações pensadas exclusivamente para modalidades como o enduro (exemplo: o encurtamento do cage do câmbio traseiro); deixou a bike silenciosa; tem design agressivo, porém mais ergonômico; há grande amplitude de combinação de marchas e boa variedade da quantidade de dentes em pinhões e coroas.

Contras: Você que já tem o grupo XT ou até mesmo o XTR em sua mountain bike não conseguirá fazer o upgrade de apenas algumas peças. Por ter sido totalmente redesenhado, o novo XTR traz concepções inéditas de encaixes na relação e nos cubos, assim como os sistemas de controles, que são recém-inventados e não se adequam aos antecessores. O ponto positivo disso, no entanto, é que, daqui a uns anos, o novo XTR seja incorporado ao XT, um efeito cascata que a Shimano costuma aplicar em sua linha de produção e que não será diferente.

Preços sugeridos

R$ 15.990 (relação 1X12)
R$ 16.990 (relação 2X12)
bike.shimano.com.br