TESTAMOS: Sapatilha Specialized Torch

Uma linha de calçados mais em conta e que não decepciona, oferecendo leveza a preço mais camarada

Por Erika Sallum

EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS de bike são itens caros, ainda mais no Brasil, onde os impostos pioram bastante a situação. Por isso é sempre bem-vindo quando uma marca decide focar seus esforços em desenvolver produtos mais acessíveis, porém que cumprem seu papel com honestidade. É o caso, por exemplo, de muitos itens criados pela B’Twin, marca de bikes da francesa Decathlon. Ou da brasileira Curtlo, que segue firme em sua decisão de produzir equipamentos duradouros e mais em conta.

A norte-americana Specialized também faz parte dessa onda há anos. E em sua linha 2018 decidiu ir além, com as sapatilhas de estrada Torch. Não se tratam de calçados de entrada, para quem quer gastar pouco e comprar algo para iniciantes. As Torch foram projetadas para ciclistas que já pedalam e querem um produto ponta-firme, que ofereça desempenho, só que com um preço menos exorbitante que a linha S-Works, a top de linha da marca.

Estamos falando aqui de sapatilhas de performance, ou seja, cujo valor é ainda salgado a olhos mais amadores – dependendo do modelo da Torch (são três, no total, em versões masculinas e femininas), pode-se pagar até R$ 1.200 por um par. Mas vale a pena, levando-se em conta que uma versão S-Works 6 sai por R$ 2.200.

A boa notícia é que, nas Torch, há opções para vários bolsos. A Torch 1.0, a mais simples, vem com três velcros em vez dos fechos Boa (mais caros). Sua sola é de compósito de nylon, que dá rigidez moderada – em outras palavras, é mais pesado e menos eficiente que o carbono, e isso ajuda a baixar seu preço (290 gramas cada pé, no tamanho 42; vendidas por R$ 500, muito bom para um calçado desse tipo). É uma pedida excelente para quem quer começar a pedalar mais seriamente, ou quer usar sapatilhas em seus rolês urbanos. Já a Torch 2.0 já vem com sola de carbono, que torna o conjunto mais leve, e com calcanhar e dedos de borracha para dar tração fora da bike (algo valioso para os mais iniciantes ou para quem precisa caminhar, por exemplo, até o vestiário do escritório). Tem sistema de fecho com uma presilha Boa e um velcro, e o cabedal (parte de cima) é em mesh e TPU. Custa R$ 900 e pesa 235 gramas (um pé do modelo masculino, tamanho 42). Por fim, há a Torch 3.0, a mais top de todas, com fecho dual Boa (duas presilhas) e solado de composto de carbono Fact (o melhor e mais rígido da Specialized). Devido a tantas melhorias, é a mais salgada: R$ 1.200.

Há meses venho testando a versão Torch 2.0, de cor preta fosca, que me ganhou pela elegância. É preciso admitir: para mim, que estou acostumada aos modelos S-Works, a diferença de performance e caimento foi sentida. A Torch não é tão “slim” quanto sua irmã mais nobre, deixando os pés com aparência mais gordinha. E o solado bem menos rígido traz desvantagens após longas pedaladas – em quatro dias de pedais de mais de sete horas em Taiwan, em outubro passado, senti até uma leve dor na sola dos pés após o uso constante. Entretanto, continuo achando a ideia da Torch uma baita mão na roda para quem está começando – é bonita (vem em várias cores, algumas um tanto chamativas em excesso para atletas mais discretos, é fato), se sai bem quando exigida em pedaladas de esforço mediano e ainda ajuda a economizar grana.

Mantendo sua tradição de olhar com atenção para o público feminino, a Specialized lançou versões de todas as Torch especialmente para as mulheres. Testei a versão masculina, porém é sempre ótimo quando você encontra produtos pensados para nós – qualquer melhoria para deixar a pedalada mais confortável (e charmosa, claro) é uma bênção. specialized.com.br