Tour Down Under nivela valor do prêmio para prova feminina e masculina

A prova australiana aumenta o prêmio da prova feminina de AUD$ 15 mil em mais AUD$ 90 mil. Será que as outras provas vão seguir essa tendência e aumentar os prêmios femininos?

Para a bicampeã da prova, Amanda Pratt, é um incentivo à excelência e igualdade. KT/Tim De Waele

Por Joe Lindsey

Logo ao terminar a etapa do Santos Tour Down Under, o governo australiano anunciou que irá acrescentar 90 mil dólares australianos para a premiação feminina do ano que vem, nivelando o valor com a premiação masculina. Antes, o valor destinado às mulheres era de cerca de 15 mil dólares australianos.

Essa mudança vai tornar o TDU de 2019 “a primeira grande prova em nível mundial onde existe igualdade entre homens e mulheres, com prêmios idênticos”, disse o ministro dos esportes e lazer australiano, Leon Bignelli, à ABC News.

A diretora da TDU feminina, Kimberley Conte, declarou que a igualdade “vai resultar em maior interesse pelas maiores ciclistas do mundo por essa prova, e trazê-la para outro nível”.

Amanda Spratt, bicampeã na prova pela equipe Mitchelton-Scott, comemorou a mudança:


É um avanço encorajador, mas que pode colocar em segundo plano muitas coisas que ainda precisam mudar. O TDU feminino ainda não é parte do WorldTour, o circuito de elite masculino e feminino. E como Bignelli aponta, o TDU está inovando ao igualar o prêmio masculino e feminino.

A questão é se outras provas relevantes vão seguir o mesmo exemplo, e quando. O dinheiro certamente cumpre um papel importante: no caso da TDU, é o governo australiano quem administra a prova, um modelo de financiamento diferente de outros países. Corridas são em geral organizadas por atores privados e financiadas por patrocinadores do mercado.

Alguns dos maiores incentivadores do Women’s WorldTour, incluindo —including gigantes como ASO, RCS Sport e Flanders Classics, que organizam praticamente metade dos eventos do circuito, também deram passos nesse sentido, porém de forma muito pontual e sem constância. Por exemplo, a ASO recentemente reduziu a La Course para um dia de prova, depois de uma expansão que teve vida curta.

Enquanto isso, a cobertura de mídia segue errática, e às vezes a prova feminina é exibida apenas como rebote da masculina, como aconteceu ano passado, no campeonato nacional da Irlanda. E acima de tudo, as ciclistas profissionais mulheres ainda não tem um salário mínimo para garantir a estabilidade e desenvolvimento esportivo da categoria.

Existem ainda outros sinais de mudança animadores, como a formação de uma liga esportiva feminina de ciclistas. O TDU ainda é uma exceção no circuito de ciclismo, mas é esperado que inspire outras corridas a seguirem o exemplo.

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