Triplo Stelvio desafia ciclistas a escalar todas as faces de uma montanha na Itália

Uma verdadeira celebração do amor de todos os que pedalam de “speed”

Por Erika Sallum

NÃO SE TRATA da montanha mais dura da Itália — um dos berços do ciclismo mundial –, mas certamente o Stelvio figura entre as mais míticas. Suas curvas sinuosas estão entre as mais fotografadas, e pedaladas!, do planeta. Como bem lembrou o ótimo site Cyclist , foi no Stelvio, a “joia dos Alpes orientais”, que ocorreram algumas das cenas mais triunfais desse esporte. Em 1953, por exemplo, quando a montanha entrou para o circuito das Grandes Voltas, a lenda italiana Fausto Coppi deu ali um de seus mais famosos ataques, deixando o então líder da competição para trás e vencendo a etapa por mais de 3m30s de vantagem (e assegurando sua quinta e última vitória na prova). Por isso, o topo do Stelvio também é conhecido como “Cima Coppi”, e os italianos até hoje idolatram essa façanha.

Hordas de ciclistas, incluindo centenas de brasileiros, rumam para o Stelvio no verão europeu. Em geral, sobem por uma das faces da montanha, o lado de Bormio, em uma escalada de 21,5 km e 1.533 metros de altimetria. Mas há duas outras faces que levam ao cume, localizado a 2.758 metros de altitude. Criado em 2017, um desafio peculiar convoca corajosos ciclistas de estrada a pedalar as três subidas que levam ao topo do Stelvio — tudo no mesmo dia!

Batizado de Triplo Stelvio, o evento não é uma prova, mas sim uma celebração do amor que todos nós que pedalamos de “speed” sentimos por monumentos como as montanhas italianas. Marcado para o próximo dia 26 de junho, o desafio tem, no total, 130 km e 4.600 de altimetria. Os participantes partem às três da matina, para conseguirem ver o nascer do sol no cume após a primeira escalada do longo dia.

Depois de Bormio, é a vez da face de Prato, uma escalada de 25,4 km e altimetria de 1.842 metros. Por último, vem o lado de Santa Maria, com “meros” 15,4 km e altimetria de 1.372 metros. Uma “vantagem” é que o Stelvio não apresenta subidas demasiadamente íngremes, com no máximo 14% (no lado Bormio). Isso, no entanto, não tira em nada o mérito de quem topa encarar tamanho esforço físico e tantas horas em cima da bike.

O Triplo Stelvio foi criado pela Polisportiva Sanmaurese, uma associação europeia que organiza expedições ciclísticas. A primeira edição, em 2017, foi apenas para convidados, e neste ano é aberta a quem quiser se inscrever (mais informações aqui). É ainda um evento pequeno, mas que tem tudo para ganhar os corações de ciclistas de vários países (incluindo, claro, o Brasil).