Triplo Stelvio: nossa redatora-chefe em busca de um desafio insano na Itália

As temidas curvas verticais do Stelvio

No próximo dia 26 de junho, acontece a segunda edição de um dos desafios mais imponentes do ciclismo de estrada: o Triplo Stelvio. Ciclistas de várias partes do mundo vão subir a mítica montanha italiana — conhecida como a Joia dos Alpes — por suas três faces no MESMO dia. Serão 130 km e absurdos 4.600 metros de altimetria. Os participantes começarão a pedalar por volta das 3h da madrugada, para assistir ao nascer do sol no cume da primeira escalada, e passarão o dia em cima da bike.

Nossa redatora-chefe Erika Sallum foi convidada para participar e contará em primeira mão como foi este que é considerado um dos rolês de bike de estrada mais bonitos da Europa.

O Stelvio faz parte da história das Grandes Voltas ciclísticas profissionais (Giro d’Italia, Tour de France e Vuelta a España), e por ali já circularam as principais estrelas desse esporte. A seguir, algumas curiosidades sobre o monumental gigante:

O desafio Triplo Stelvio

O cume do Stelvio fica a 2.758 metros de altitude — é a segunda mais alta montanha pavimentada dos Alpes. Pela face mais famosa, o lado de Bormio, sobe-se 21,5 km e 1.533 metros de altimetria. Já pela face de Prato, são 25,4 km e altimetria de 1.842 metros. Por último, o lado de Santa Maria conta com “meros” 15,4 km e altimetria de 1.372 metros.

As estradas que levam ao cume começaram a ser construídas no século 19, para ligar a o império austríaco à região do de Tirol do Sul, na Itália, e à Lombardia, conectando Viena a Milão.

A subida a partir de Prato talvez seja a mais famosa, com suas 48 curvas devidamente sinalizadas por placas.

A escalada a partir de Bormio passa por sete túneis e cerca de 30 curvas fechadíssimas.

A menos famosa das estradas é a do lado de Santa Maria, a mais curta e que começa do lado suíço da montanha.

O maior desafio para quem decide encarar o Stelvio não é o quanto íngreme pode ser a montanha (que não chega nunca a gradientes duros como 20%), mas sim o fato de ser longa e de altitude considerável — para terror de ciclistas como os brasileiros, pouco habituados a pedalar em estradas tão elevadas.

Stelvio no Giro

Quatro edições do Giro d’Italia já tiveram sua etapa final no cume do Stelvio — e por quatro vezes os organizadores da prova precisaram cancelar a competição ali por conta de mau tempo.

Em 1953, quando a montanha entrou para o circuito das Grandes Voltas, a lenda italiana Fausto Coppi deu ali um de seus mais famosos ataques, deixando o então líder da competição para trás e vencendo a etapa por mais de 3min30s de vantagem (e assegurando sua quinta e última vitória na prova).

Desafio para amadores

Todo último sábado de agosto ou primeiro sábado de setembro acontece o Stelvio Bike Day, quando a estrada é fechada para carros e mais de 12.000 ciclistas pedalam por ali.