Tudo o que você precisa saber para pedalar pelo Uruguai

A rota é fácil, e o país ficou conhecido entre os cicloviajantes pelas estradas sempre retas

(Foto: shutterstock)

Nosso vizinho ao sul é mais conhecido pela badalação de Punta del Este, destino que virou queridinho dos gaúchos em busca de festa, e pelo carisma de Montevidéu e da histórica Colonia del Sacramento. Mas o país tem muito mais a oferecer. Uma pedalada pelo litoral é uma boa pedida para conhecer essa região com calma. A rota é fácil, e o país ficou conhecido entre os cicloviajantes pelas estradas sempre retas, com pouca altimetria. O maior desafio é o vento contra, que pode maltratar o ciclista.

A viagem começa no Chuí (RS), a 600 km de Porto Alegre, onde se atravessa a fronteira pedalando. A primeira parada é em Punta del Diablo, 45 km adiante. Na descida, vale visitar o Parque de Santa Teresa, com trilhas, um forte do século 16 e campings, bastante frequentados por famílias uruguaias e gaúchas. A partir dele, uma trilha de 5 km leva à Laguna Negra, uma lagoa de mais de 180 km2, com águas esverdeadas.

Punta del Diablo é conhecida como a praia mais descolada do Uruguai, pela atmosfera hippie chic do povoado, que mantém desde casas rústicas a baladas. Uma boa pedida é experimentar nos restaurantes da cidade os pratos de frutos do mar frescos, trazidos pelos pescadores no fim dia.

Seguindo em frente, o melhor e mais explorado destino uruguaio está em Cabo Polônio, a 62 km da Punta del Diablo. O lugar é uma reserva ecológica e só pode ser acessada por caminhões que levam os turistas, chamados de jardineiras. As bikes precisam ficar presas no estacionamento da administração do parque, no km 264 da Ruta 10. Cabo Polônio é a legítima praia hippie do Uruguai. Não há luz elétrica, o banho é frio e as cabanas são bastante simples. Acampar é proibido, por isso reserve sua hospedagem com antecedência.

Seguindo mais 50 km está La Paloma, balneário com praias para diversos estilos.

O farol centenário é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. É possível subir para apreciar uma das melhores vistas da região. É também ali, nas imediações do porto, que estão as melhores opções de gastronomia de La Paloma.

Para quem quer fugir da muvuca, vale trocar a agitada La Balconada pelas praias de Arachania ou Corumba, a preferida dos surfistas. O trecho mais longo da viagem é o que liga La Paloma a Punta del Este, 104 km, devido ao contorno da Laguna de Rocha. Para os menos treinados, vale descansar uma noite no meio do caminho, em José Ignácio ou Santa Mônica.

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Quem seguir direto chega à badaladíssima Punta del Este. Em alta temporada esteja preparado para multidões de turistas e preços mais altos. Não deixe de visitar a Casa Pueblo, construída pelo arquiteto uruguaio Carlos Paéz Vilaró, uma das principais atrações do balenário, em Punta Ballena.

Dali se parte até Piriápolis, uma cidadezinha costeira com atracadouro de iates e algumas praias de banho. A principal atração é o Cerro Santo Antônio, que pode ser conquistado de teleférico. A próxima parada pode ser uma perna longa até Montevidéu, a 100 km, ou acrescentar uma parada em Atlântida, que não tem grandes atrações, mas é um bom descanso a 45 km de Montevidéu.

Na capital de inúmeras opções culturais e gastronômicas, não deixe de pedalar a Rambla, uma larga calçada que margeia toda a costa do Rio da Prata.

Dicas para pedalar pelo Uruguai

A alta temporada, no verão, encarece as hospedagens e lota as cidades de turistas. Mais ao sul do mundo, no verão costuma anoitecer às 21h no Uruguai, o que dá mais algumas horas aproveitáveis de pedal com luz do dia.