UCI quer suspensão de Froome por uso de substância proibida

David Lappartient, presidente da UCI, pediu à equipe Sky para suspender Chris Froome depois que o quatro vezes campeão do Tour de France não passou em um teste antidoping

Para muitos, Chris Froome ameaça queimar mais ainda a imagem do ciclismo como um esporte movido a doping. Imagem: NurPhoto

Da redação da Bicycling, com AFP

O quatro vezes campeão do Tour de France Chris Froome deveria ser suspenso da equipe Sky por causa de um resultado adverso no teste antidoping, de acordo com o presidente da UCI, David Lappartient. Durante a última Vuelta a España, Froome foi testado e tinha duas vezes a quantidade permitida da medicação de asma salbutamol.

“A Sky deveria suspender o Froome,” disse Lappartient ao jornal francês Le Telegramme. “Sem entrar no mérito se ele é culpado, seria mais fácil para todos se a Sky tomasse essa decisão. Cabe ao chefe da equipe Dave Brailsford assumir essa responsabilidade.”

“À parte isso, acredito que é o que os outros competidores querem”, disse Lappartient. “Eles estão cansados também dessa má imagem.”

Lappartient disse que independentemente da culpa ou inocência de Froome, os fãs do ciclismo não irão dar o benefício da dúvida até ele estar ou exonerado ou se comprovar se ele quebrou as regras ou não. “Aos olhos do público, ele já é culpado,” disse o chefe da UCI, que alega ter sido informado do resultado do teste uma hora depois de ser eleito para o cargo, substituindo o britânico Brian Cookson em 21 de setembro.

“Estamos nas mãos dos especialistas”, disse. “Cabe ao Froome demonstrar os motivos de níveis tão altos de salbutamol, é ele quem deve provar sua inocência.”

Lappartient acredita que o caso deve se desenrolar por muito tempo, com a possibilidade de Froome apelar contra uma eventual sanção na Corte Arbitral do Esporte. “Não vai ter solução rápida”, acredita. “Pode durar até um ano.”

Alguns dos rivais de Froome estão cobrando as autoridades para banirem o atual rei do Tour e da Vuelta. Semana passada, o francês Romain Bardet declarou que esse episódio torna o ciclismo “uma piada”. Tom Dumoulin, campeão mundial de contrarrelógio, insistiu que sua equipe, a Subweb, teria dado a ele uma suspensão por motivo similar.

Bardet chegou a sugerir que se a Sky não suspender Froome, o ciclista deveria se exilar voluntariamente das competições “até que as autoridades cheguem a alguma conclusão”.

Lappartient declarou que entende como Bardet se sente, acrescentando, “ele falou o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer”.

O presidente da UCI disse que verificaria a questão das exceções de uso terapêutico, que muitos acreditam que podem ter sido usadas por ciclistas para obter vantagens com o uso de substâncias que normalmente são proibidas, porém podem ser usadas com prescrição médica (conhecidas como TUE). Ele declarou que gostaria de colocar em prática uma “observação médica independente” que proibiria ciclistas de competir caso estivessem usado alguma dessas substâncias.

“Isso também nos ajudaria a resolver o problema de uso de corticoides,” disse Lappartient.

Em 2016, o grupo de hacking russo Fancy Bears revelou que revealed Bradley Wiggins, o primeiro britânico a vencer o Tour de France em 2012, antes de Froome repetir o feito no ano seguinte, recebeu três TUEs durante sua carreira em momentos cruciais: antes do Tour em 2011 e 2012, e antes do Giro d’Italia em 2013.

Wiggins alegou precisar tomar o corticoide triancinolona para tratar alergias. Mas alguns ex-ciclistas fizeram declarações de que foi apenas para ganho de performance.