Vandalismo está tirando as bicicletas compartilhadas da Inglaterra

Além de destruídas, as bikes quebradas podem estar poluindo demais as cidades

Mobike em Manchester: serviço não será mais oferecido na cidade inglesa (Foto: mobike.com)

Empresa que presta serviço de bikes compartilhadas anunciou que vai extinguir o serviço em Manchester

Na semana passada, a empresa chinesa Mobike anunciou que acabaria com o serviço de bicicletas compartilhadas que presta em Manchester, na Inglaterra. O motivo: roubo e vandalismo desenfreados. E outras cidades inglesas ainda estariam na mira da empresa.

Isso automaticamente nos faz pensar no Brasil. Recentemente, depois que a empresa Yellow disponibilizou bikes através de um sistema de compartilhamento “dockless” (sem estação de retirada e devolução), passamos a ver uma enorme quantidade dessas bicicletas amarelas com rodas tortas, acessórios faltando e até anunciadas em sites de compra e venda. Um verdadeiro absurdo.

“Será que o Brasil – e principalmente os brasileiros – ainda não está preparado para este tipo de serviço?”, foi um questionamento ouvido muito por aí.

Mas agora, com o mesmo problema acontecendo de forma massiva na Inglaterra, são as bikes e seus sistemas de compartilhamento que estão sendo colocados em xeque. “Seria a sociedade, em âmbito mundial, que não estaria ainda evoluída para receber serviços que prezam pela liberdade de ir e vir dos cidadãos?” Em outras palavras, “compartilhar”, na prática, estaria muito à frente de nosso tempo?

Bikes da Mobike “poluindo a paisagem” na Inglaterra (Foto: manchestereveningnews.co.uk)

“Será que nem os países desenvolvidos estão preparados para receber as bicicletas compartilhadas?”

Para o ex-ciclista britânico Chris Boardman, “comportamentos antissociais não são exclusivos a Manchester. Além disso, ele ressaltou que ainda falta o compromisso por parte da empresa para implementar soluções mais eficazes.

Leia também: É assim que funcionam as bikes da Yellow

Bicicletas compartilhadas: solução às cidades

Discussões à parte, está mais do que provado que sistemas de bikes compartilhadas são eficientes alternativas de transporte – quem não se lembra das ruas lotadas de “bicicletas compartilhadas” durante a greve dos caminhoneiros, há alguns meses?

No entanto, um esquema de compartilhamento de sucesso exige maior participação da comunidade. As pessoas entendendo o funcionamento e mais incorporadas ao sistema, colaborando como guardiãs desse serviço, é uma maneira de prolongar a existência dessas bicicletas públicas.

Por bem ou por mal, sistemas dockless como o Yellow vem colaborando com a mudança (positiva) de mentalidade: esses serviços estão aí para nos ajudar. Cabe a cada um fazer sua parte, utilizando os serviços de modo coerente e adequado, e torcer para que essas iniciativas não terminem por conta de vandalismo, o qual acredita-se que seja praticado por uma parte diminuta da sociedade, apesar de tudo.